Opará Saberes 2026 amplia foco para educação antimachista e prevenção à violência
Projeto promove formação acadêmica e ações contra o feminicídio em Salvador
O projeto Opará Saberes chega à sua 4ª edição em 2026 com uma proposta ampliada que vai além do acesso de mulheres à pós-graduação, focando na educação antimachista como estratégia central para combater a violência de gênero e o feminicídio. Idealizado por Carla Akotirene, doutora em Estudos Interdisciplinares de Gênero, Mulheres e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (PPGNEIM/UFBA), o projeto articula formação acadêmica, produção de conhecimento e intervenção social.
Neste ano em que completa dez anos, o Opará Saberes promove um amplo debate sobre educação antimachista, ampliando suas ações para a educação básica e para adolescentes e jovens sob risco de influência por discursos de ódio e pela chamada “cultura redpill”. Além disso, o projeto atua na formação de operadores do Direito para qualificar as intervenções com homens autores de violência.
A formação de 2026 ocorrerá entre 21 e 27 de maio, em Salvador, com a participação de pesquisadores que estudam a relação entre masculinidade e violência, como o filósofo Renato Noguera e o jurista Anderson Eduardo Carvalho de Oliveira. A conferência de abertura será realizada pelo pesquisador Deivison Mendes Faustino, conhecido como Deivison Nkosi, doutor em Sociologia e autor de diversas obras.
Entre os destaques desta edição está a produção de material didático e a criação de conteúdos audiovisuais que serão disponibilizados à rede pública de ensino. O objetivo é fortalecer práticas pedagógicas críticas e emancipadoras que combatam o machismo desde a infância e adolescência.
Para Anderson Eduardo, a proposta do Opará Saberes atua em duas frentes fundamentais: a prevenção junto a adolescentes e jovens expostos a discursos de ódio nas redes sociais e a qualificação de operadores do sistema de justiça que atuam com a Lei Maria da Penha, focando na responsabilização educativa de homens autores de violência. Ele destaca que, apesar de o Brasil ter uma das legislações mais avançadas do mundo, os índices de feminicídio continuam crescendo, o que evidencia a necessidade de intervenções estruturais que vão além da punição.
O projeto foi criado para valorizar saberes produzidos por pessoas negras e epistemologias historicamente marginalizadas. É desenvolvido em parceria entre o PPGNEIM/UFBA e o Instituto de Juristas Negras, com cursos presenciais e expansão para diferentes unidades da UFBA, além de articulação com instituições como OAB, Ministério Público e Defensoria Pública.
A professora Márcia Tavares, do PPGNEIM/UFBA, ressalta que o Opará Saberes facilita o acesso de mulheres negras, trans e quilombolas aos programas de pós-graduação, defendendo uma universidade mais inclusiva. Ela também destaca que o projeto é um espaço de referência, acolhimento, troca e afeto.
Ao integrar educação, justiça e produção de conhecimento, o Opará Saberes reafirma seu compromisso com o enfrentamento estrutural do machismo e com a construção de caminhos concretos para a redução da violência de gênero no Brasil.



