Câncer de colo do útero: mais de 19 mil novos casos por ano no Brasil poderiam ser evitados com prevenção e vacina
Imunização, rastreamento e informação são pilares para frear uma doença que ainda afeta milhares de mulheres no Brasil
O câncer de colo do útero permanece como uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no mundo e é o tipo mais letal entre mulheres com menos de 36 anos no Brasil. A principal causa da doença é a infecção persistente pelo HPV, um vírus comum que, em grande parte dos casos, pode ser prevenido por meio de medidas simples e eficazes, como a vacinação.
Segundo dados do GLOBOCAN 2023, são registrados 662 mil novos casos de câncer de colo do útero anualmente no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 19.310 novos casos ocorrerão a cada ano entre 2026 e 2028.
Além do impacto direto na saúde, a doença gera consequências sociais profundas, com cerca de 200 mil crianças ficando órfãs de mãe anualmente devido ao câncer de colo do útero.
Esses números evidenciam falhas no cuidado antecipado, já que o câncer de colo do útero é, em grande parte, evitável. Vacinação, rastreamento e informação são as três chaves para transformar essa realidade.
A prevenção deve ser prioridade, com esforços conjuntos de famílias e profissionais de saúde para proteger meninas e meninos contra uma doença grave, porém evitável. Países que alcançaram altas coberturas vacinais, como a Escócia, já observam a quase eliminação da doença entre mulheres vacinadas.
O HPV é tão comum que oito em cada dez pessoas terão contato com o vírus ao longo da vida. Embora o organismo elimine o vírus na maioria dos casos, a persistência de tipos de alto risco, especialmente os subtipos 16 e 18, pode levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e, eventualmente, ao câncer.
Estudos indicam prevalências superiores a 60% em algumas capitais brasileiras. Mulheres adultas e sexualmente ativas permanecem em risco de novas infecções durante toda a vida, o que reforça a importância da vacinação e do rastreamento contínuo, mesmo após a juventude.
A vacinação contra o HPV é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a principal estratégia global para eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030. No Brasil, entretanto, a adesão à vacina ainda é insuficiente: entre 2014 e 2023, apenas 56,8% dos meninos e 81,1% das meninas receberam a primeira dose.
A vacina é segura, eficaz e amplamente estudada, mas a desinformação e o medo, muitas vezes alimentados por fake news, dificultam a adesão. É fundamental combater esses mitos e levar informação de qualidade, especialmente para pais e responsáveis.
Além da imunização, o rastreamento com teste de DNA-HPV, recentemente incorporado às diretrizes do Ministério da Saúde, representa um avanço importante. Esse método é mais sensível e custo-efetivo que o tradicional Papanicolau, permitindo detectar a infecção antes que ela evolua para o câncer.
A combinação de vacinação e rastreamento organizado pode reduzir drasticamente a mortalidade, representando um investimento em futuro e equidade.
Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo do útero tem potencial para reduzir a mortalidade em até 90%. Por isso, a conscientização e a prevenção são fundamentais para enfrentar essa doença.
Prevenir o câncer de colo do útero é um compromisso coletivo, pois o HPV ainda é responsável por milhares de mortes evitáveis todos os anos. Discutir o tema é cuidar da vida das mulheres, das famílias e das próximas gerações.



