Diretriz atualiza manejo clínico da obesidade no país

Recomendações reforçam uso combinado de medicamentos e mudanças no estilo de vida

A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) publicou uma nova diretriz que atualiza o manejo clínico da obesidade no país. O documento enfatiza que o tratamento farmacológico não deve ser utilizado isoladamente, mas sempre em conjunto com mudanças no estilo de vida, incluindo aconselhamento nutricional e estímulo à prática regular de atividade física.

A diretriz integra um conjunto de 32 recomendações voltadas ao cuidado clínico da obesidade, estabelecendo critérios para a prescrição de medicamentos. O uso de fármacos é indicado para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando há comorbidades relacionadas à adiposidade. Em casos específicos, a indicação pode ocorrer fora desses parâmetros, desde que haja aumento da circunferência abdominal ou da relação cintura-altura associado a complicações clínicas.

O documento amplia a abordagem da obesidade ao considerar condições frequentemente associadas, como risco cardiovascular, pré-diabetes, doença hepática gordurosa, apneia do sono e perda de massa muscular. Além disso, alerta contra práticas sem respaldo científico, como o uso de fórmulas manipuladas contendo diuréticos, hormônios tireoidianos, esteroides anabolizantes ou gonadotrofina coriônica humana (hCG), que não apresentam eficácia comprovada e podem representar riscos à saúde.

O médico gastroenterologista e cirurgião geral Mauro Lúcio Jácome destaca que “a obesidade é uma doença multifatorial. Não existe solução única. O tratamento exige acompanhamento contínuo, mudança de comportamento e, quando indicado, suporte medicamentoso dentro de um plano estruturado”. Ele ressalta que o uso isolado de medicamentos tende a produzir resultados limitados e temporários, pois “sem ajuste alimentar e sem atividade física, o paciente dificilmente sustenta a perda de peso. O medicamento atua como ferramenta, não como solução definitiva”.

Entre os avanços terapêuticos, a tirzepatida é mencionada como um fármaco que atua em mecanismos hormonais que regulam o apetite e o metabolismo, apresentando impacto consistente na perda de peso em estudos clínicos. Contudo, seu uso deve seguir critérios rigorosos e estar sempre integrado a um plano de cuidado mais amplo.

A diretriz da Abeso reforça que, mesmo com os avanços farmacológicos, o tratamento da obesidade permanece centrado na combinação de estratégias, em que a medicação funciona como apoio e não como solução isolada. O documento reflete a complexidade da doença e a necessidade de avaliação individualizada e decisões clínicas baseadas em evidências.

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