Sirlea Aleixo vence Prêmio Shell de Melhor Atriz por Furacão
Atriz é reconhecida por papel em espetáculo que aborda racismo ambiental
Sirlea Aleixo foi premiada com o 36º Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Atriz por sua atuação no espetáculo Furacão, apresentado pela Companhia Amok de Teatro. Na peça, a atriz interpreta Joséphine Linc Steelson, uma mulher negra de quase 100 anos que sobreviveu ao furacão Katrina. A personagem transcende o evento climático para abordar a violência histórica do racismo ambiental, tema central da montagem.
Nascida e criada no Jacarezinho, Zona Norte do Rio de Janeiro, Sirlea Aleixo mantém uma trajetória singular. Desde os 13 anos, fomentava a cultura local, tendo criado um programa de dublagem na comunidade. Contudo, dedicou-se integralmente à família na vida adulta, sendo mãe e dona de casa. O contato com o teatro ocorreu por acaso, quando acompanhou a filha para uma inscrição em curso da área e decidiu realizar o teste para atuar. Após aprovação, iniciou sua carreira artística.
O primeiro marco profissional foi o monólogo Mariana Crioula, que representou o nascimento de sua trajetória no teatro. Posteriormente, participou do espetáculo As Comadres, que a levou a uma turnê internacional na França, acompanhada das filhas Thay e Taty Aleixo, também artistas. Ao longo de treze anos, acumulou indicações a prêmios como APTR e Prêmio do Humor.
Furacão, que chegou a ser engavetado devido à escassez de incentivos culturais, foi retomado pela atriz assim que possível. O espetáculo obteve sucesso de público e crítica, culminando na conquista do Prêmio Shell. Sirlea Aleixo descreve a experiência como transformadora: “Furacão chegou na minha vida como um furacão mesmo, estremeceu tudo, balançou as estruturas, de forma positiva”. Para ela, o prêmio representa um alívio e uma confirmação de seu caminho artístico: “As pessoas me olhavam, mas não me viam. Isso é um respiro dentro de toda essa luta.”
A preparação para o papel exigiu um trabalho intenso, pois a personagem carrega a ancestralidade e as dores do passado. A atriz buscou inspiração nas mulheres de sua família, incluindo sua mãe e avós, para construir Joséphine. Um desafio foi transmitir sentimentos como raiva e indignação sem afastar o público, buscando compreensão e empatia.
Sirlea Aleixo já se prepara para novos projetos, entre eles o espetáculo Incondicional, que abordará histórias de presas em penitenciária feminina, com estreia prevista para junho ou julho. Também integrará o elenco da peça Querida Mamãe, com apresentações em Campos dos Goytacazes no final de abril. Outros trabalhos estão em desenvolvimento, mas ainda não podem ser divulgados.
A atriz almeja ampliar sua atuação para o cinema e televisão, especialmente em papéis que permitam desenvolver sua potência artística. Ela destaca a importância das oportunidades para mulheres negras no audiovisual, citando a atriz Viola Davis: “o que separa nós mulheres negras desses lugares e da conquista de grandes méritos, são apenas as oportunidades.”



