Alzheimer pode atingir 5,7 milhões no Brasil até 2050
Diagnóstico precoce e diferenciação de esquecimentos são essenciais para controle da doença
A Doença de Alzheimer é a principal causa de demência no mundo e caracteriza-se pela morte progressiva de neurônios, especialmente nos lobos frontal e temporal do cérebro, onde está o hipocampo, estrutura essencial para a memória. Essa condição compromete funções cognitivas importantes, como atenção, orientação e planejamento, afetando significativamente a autonomia do paciente.
No Brasil, dados do Relatório Nacional sobre a Demência, divulgado em 2024, indicam que cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com Alzheimer, o que corresponde a aproximadamente 1,8 milhão de pessoas. A projeção para 2050 estima 5,7 milhões de diagnósticos no país.
Os primeiros sinais da doença incluem dificuldade para fixar e reter memórias recentes, desorientação temporal e espacial, além de prejuízos nas funções executivas, que envolvem planejamento, organização e tomada de decisões.
O neurologista Dr. Edson Issamu Yokoo, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, destaca a importância de diferenciar os esquecimentos comuns do envelhecimento natural daqueles relacionados à demência. Segundo ele, “consideramos um quadro demencial quando os esquecimentos, a desorientação e as alterações comportamentais passam a comprometer as atividades da vida diária e a autonomia do indivíduo”.
Entre os sinais de alerta estão a incapacidade de sair sozinho devido ao risco de se perder, o perigo de acidentes domésticos, como esquecer o fogão ligado, e a dificuldade para lidar com informações numéricas, como senhas ou telefones.
A idade acima de 65 anos é o principal fator de risco, embora escolaridade, histórico familiar e hábitos de vida também influenciem. Especialistas ressaltam que a qualidade de vida impacta diretamente a saúde cerebral. Recomendações incluem alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, controle de doenças crônicas e redução do consumo de álcool e tabaco.
O diagnóstico precoce é fundamental para ampliar a janela terapêutica, favorecer maior estabilidade clínica e retardar a progressão dos sintomas. Quanto mais cedo identificado, maiores as chances de preservar a funcionalidade e a qualidade de vida do paciente.
O suporte e treinamento de familiares e cuidadores são essenciais para reduzir tensões e minimizar o sofrimento diante da vulnerabilidade crescente do indivíduo.
Atualmente, existem tratamentos medicamentosos que auxiliam no controle dos sintomas, como anticolinesterásicos e antagonistas de NMDA, incluindo a memantina. Embora não haja cura, essas terapias podem estabilizar ou retardar o avanço da doença.
Abordagens não medicamentosas, como estimulação cognitiva, terapia ocupacional, exercícios físicos e atividades que desafiem o cérebro, também são recomendadas para preservar habilidades por mais tempo. O convívio social e a prevenção do isolamento são estratégias importantes.
Especialistas reforçam que lapsos de memória e alterações comportamentais não são intencionais. “É essencial compreender que o paciente não deseja causar transtornos ou agir de forma agressiva. Esses comportamentos decorrem da própria doença e podem surgir de maneira imprevisível”, explica o médico.



