Pós-covid enfrenta barreiras de aceitação e desconhecimento por parte de profissionais e da população, afirma pesquisadora
Guia nacional orienta profissionais do SUS sobre diagnóstico e tratamento das condições pós-covid
Desde o início do surto de covid-19 até setembro do ano passado, cerca de 40 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus Sars-Cov-2. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 25% dos infectados continuam enfrentando sintomas meses ou anos após a fase aguda da infecção. Problemas de memória, fadiga, alterações de paladar, depressão e dificuldades respiratórias são alguns dos relatos mais frequentes. Esse conjunto de manifestações passou a ser chamado oficialmente pelo Ministério da Saúde de “condições pós-Covid”.
Neste ano, foi publicado o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid, elaborado por uma equipe multiprofissional formada por especialistas de diferentes regiões do país. O documento busca orientar profissionais de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) no reconhecimento, diagnóstico e tratamento dessas manifestações, que podem atingir múltiplos sistemas do organismo. O guia foi oficializado por meio de portaria do Ministério da Saúde publicada no início de abril.
Karen Ingrid Tasca, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Unesp, câmpus de Botucatu, participou da elaboração do guia. Ela explica que a expressão “condições pós-Covid” padroniza os vários nomes diferentes já utilizados para o quadro, como “covid longa” e “síndrome pós-covid”. Segundo a pesquisadora, “é difícil tanto para o paciente ter a autopercepção da condição pós-covid, como para o próprio profissional de saúde diagnosticá-la”.
Em 2021, durante o auge da pandemia, foi lançado um manual para avaliação e manejo de condições pós-covid na atenção primária à saúde. O intervalo de cinco anos para a conclusão do guia está relacionado a desafios como a falta de atualização dos profissionais de saúde, a compreensão do paciente, a busca pelo serviço de saúde, a descrença e o desconhecimento da sociedade.
Karen Ingrid Tasca afirma que o tratamento depende do tipo de sintoma apresentado pelo paciente, pois as manifestações são variadas e não existe uma única abordagem terapêutica. Ela enfatiza que a prática clínica deve ser pautada estritamente por evidências. “Existe grande quantidade de estudos científicos sobre o tema, incluindo revisões sistemáticas e meta-análises, que são os níveis mais elevados de confiabilidade científica porque são pesquisas com metodologias muito robustas. A literatura científica que mostra que as condições pós-Covid existem é bastante consistente. O desafio é fazer com que essa informação chegue a todos os profissionais e seja incorporada na prática clínica”, afirma a pesquisadora.



