Transparência nas promessas de bem-estar animal na publicidade alimentícia
Empresas são cobradas por dados verificáveis em campanhas que destacam cuidado animal
Nos últimos anos, o bem-estar animal tem ganhado destaque nas campanhas publicitárias do setor alimentício, com empresas utilizando imagens de animais em ambientes aparentemente felizes e expressões como “galinhas felizes” e “compromisso com o bem-estar animal”. Essas estratégias buscam dialogar com a crescente preocupação dos consumidores sobre questões éticas na produção de alimentos.
No entanto, organizações da sociedade civil têm alertado para a falta de transparência verificável nessas alegações. Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), toda informação publicitária deve ser clara, verdadeira e passível de comprovação. Quando compromissos são anunciados sem dados públicos que comprovem sua implementação, pode haver risco de propaganda enganosa.
O movimento Stop Humane Washing (SHW), que monitora compromissos públicos de bem-estar animal, destaca que “o consumidor tem direito de saber se aquilo que aparece na publicidade corresponde de fato às práticas adotadas pelas empresas. Quando compromissos são anunciados publicamente, é fundamental que haja transparência sobre prazos, metas e evolução da implementação”, afirma Lucas Galdioli, gerente da iniciativa.
Esse fenômeno, conhecido como “humane washing”, ocorre quando empresas usam o tema do bem-estar animal para marketing e reputação sem fornecer informações claras sobre o cumprimento das promessas. Para Yuri Lima, mestre em Direito Animal, “o consumidor sempre dita as regras do mercado” e, com o aumento da preocupação ética, cresce a exigência por transparência na cadeia produtiva e rotulagem dos produtos.
Pesquisas indicam que o uso de mensagens associadas ao bem-estar animal impacta a percepção do consumidor, que muitas vezes tem conhecimento limitado sobre as condições reais de produção. Karynn Capilé, pós-doutora em Bem-Estar Animal, reforça que “passar a mensagem de que os animais são felizes é um bom negócio para o marketing”, pois atrai consumidores dispostos a pagar mais por produtos considerados éticos e tranquiliza aqueles que buscam agir favoravelmente aos animais sem mudar radicalmente seus hábitos.
Desde 2016, diversas empresas anunciaram compromissos públicos para substituir ovos de sistemas de confinamento por ovos cage-free, com prazo para 2025. Contudo, a Stop Humane Washing aponta que faltam informações públicas atualizadas sobre o progresso dessas metas, como percentuais de implementação e relatórios de acompanhamento.
A organização ressalta que “o problema começa quando compromissos são anunciados e utilizados na comunicação institucional, mas não existem dados públicos verificáveis que permitam acompanhar sua implementação. Isso cria uma assimetria de informação que prejudica o consumidor”.
Além das implicações reputacionais, o tema pode ter impactos jurídicos quando mensagens publicitárias induzem o consumidor a acreditar que práticas já foram implementadas sem evidências públicas. O debate também está alinhado com agendas globais de sustentabilidade e governança corporativa, especialmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Movimentos da sociedade civil seguem ampliando o monitoramento e cobrando maior transparência na comunicação das empresas. A Stop Humane Washing afirma que continuará acompanhando compromissos públicos e incentivando que sejam acompanhados de dados verificáveis, pois “sem dados verificáveis, o consumidor não consegue distinguir a promessa de realidade”.
Este conteúdo foi elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



