Relações mais curtas e vínculos frágeis: por que é difícil manter conexões profundas
Medo da dependência, excesso de opções e baixa tolerância ao conflito enfraquecem os relacionamentos
Nunca foi tão fácil iniciar uma relação e, ao mesmo tempo, tão difícil sustentá-la. Essa realidade, observada tanto na vida afetiva quanto no ambiente profissional, tem sido analisada por especialistas ao redor do mundo. A psicóloga Laura Zambotto explica que “todo vínculo exige dependência saudável” e alerta para a confusão atual entre autonomia emocional e indisponibilidade afetiva. Muitas pessoas acreditam que ser maduro é não depender de ninguém, mas, na prática, manter relações profundas demanda algum grau de dependência emocional.
O cenário atual é marcado pela cultura do excesso de opções, que reduz a tolerância à frustração e incentiva o descarte rápido das relações. Aplicativos de relacionamento e redes sociais reforçam a ideia de que sempre há algo melhor disponível, enfraquecendo o investimento emocional nas conexões existentes. Segundo Laura, “quando tudo parece substituível, nada é verdadeiramente escolhido”. Sustentar vínculos exige atravessar desconfortos e diferenças, algo que a lógica da rapidez e da substituição tenta evitar.
O sociólogo Zygmunt Bauman descreve essa realidade como “amor líquido”, em que as relações são flexíveis e descartáveis, semelhantes à água que escorre pelas mãos. Esse fenômeno também impacta o ambiente de trabalho, onde vínculos frágeis contribuem para menor engajamento e maior risco de adoecimento emocional. Pesquisas indicam que colaboradores sem conexões significativas sentem mais isolamento, mesmo em equipes grandes e conectadas digitalmente.
Outro ponto importante é a baixa tolerância ao conflito. Estudos em psicologia relacional mostram que a expectativa de relações sempre harmoniosas leva ao abandono precoce diante de qualquer frustração. Para Laura, “conflito não é sinal de relação tóxica. Muitas vezes, é sinal de vínculo real”. A dificuldade está em diferenciar desconforto saudável de sofrimento.
Além disso, o discurso contemporâneo sobre amor-próprio, embora relevante, tem sido distorcido. “Cuidar de si não significa evitar o outro. O excesso de autossuficiência emocional pode ser uma defesa contra a intimidade, não um sinal de maturidade”, ressalta a psicóloga. O enfraquecimento dos vínculos não indica menos desejo de conexão, mas mais medo da exposição emocional que eles exigem.
Para reconstruir relações mais consistentes, é necessário mudar a perspectiva: menos idealização, menos substituição e mais disposição para atravessar processos reais. “Relações profundas não são leves o tempo todo. Elas exigem presença, negociação e permanência. E isso é algo que nossa cultura desaprendeu a sustentar”, conclui Laura Zambotto.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



