Por que vínculos profundos estão mais frágeis e relações mais curtas
Entenda os desafios emocionais que dificultam manter conexões duradouras hoje
Nunca foi tão fácil iniciar uma relação e, ao mesmo tempo, tão difícil mantê-la. Essa realidade, observada tanto na vida afetiva quanto no ambiente profissional, tem preocupado especialistas. A psicóloga Laura Zambotto aponta que a fragilidade dos vínculos está relacionada a uma dificuldade emocional coletiva para sustentar o outro. “Existe hoje uma grande confusão entre autonomia emocional e indisponibilidade afetiva. Muitas pessoas acreditam que ser maduro é não depender de ninguém, quando, na prática, todo vínculo humano exige algum grau de dependência emocional saudável”, explica.
Além disso, a cultura do excesso de opções contribui para esse cenário. Estudos da American Psychological Association (APA) indicam que ambientes com múltiplas escolhas reduzem a tolerância à frustração, aumentando a tendência ao descarte. Aplicativos de relacionamento e redes sociais reforçam a ideia de que sempre há algo melhor disponível, o que enfraquece o investimento emocional nas relações atuais. Laura destaca: “Quando tudo parece substituível, nada é verdadeiramente escolhido. Sustentar um vínculo exige atravessar desconfortos, frustrações e diferenças — algo que vai na contramão da lógica da rapidez e da substituição”.
Outro aspecto importante é a baixa tolerância ao conflito. Pesquisas em psicologia relacional mostram que a expectativa por relações sempre harmoniosas leva ao abandono precoce diante de qualquer desentendimento. “Conflito não é sinal de relação tóxica. Muitas vezes, é sinal de vínculo real. A dificuldade atual está em diferenciar desconforto saudável de sofrimento”, pontua a especialista.
No ambiente profissional, a fragilidade dos vínculos também gera impactos visíveis. Pesquisas da Gallup indicam que colaboradores sem conexões significativas no trabalho apresentam até 21% menos engajamento e maior risco de adoecimento emocional. Isso aumenta a sensação de isolamento, mesmo em equipes grandes e conectadas digitalmente.
Laura Zambotto ainda alerta para a distorção do discurso contemporâneo sobre amor-próprio. “Cuidar de si não significa evitar o outro. O excesso de autossuficiência emocional pode ser uma defesa contra a intimidade, não um sinal de maturidade”, afirma. Segundo ela, o enfraquecimento dos vínculos não indica menos desejo de conexão, mas mais medo de se envolver profundamente. “Sustentar relações hoje virou um desafio psicológico, não apenas social.”
Para reconstruir vínculos mais consistentes, a psicóloga sugere uma mudança de perspectiva: “Relações profundas não são leves o tempo todo. Elas exigem presença, negociação e permanência. E isso é algo que nossa cultura desaprendeu a sustentar”. Menos substituição e mais disposição para atravessar processos reais são essenciais para fortalecer as conexões humanas.
Conteúdo elaborado com dados da assessoria de imprensa.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



