Volta às aulas: atenção à saúde mental de crianças e adolescentes
Psicóloga alerta para sinais de sofrimento emocional e recomenda acolhimento e diálogo no retorno escolar
Com o retorno às aulas previsto para as próximas semanas, pais e responsáveis precisam estar atentos não apenas à rotina e ao material escolar, mas também à saúde mental de crianças e adolescentes. O período de recomeço, após as férias, pode trazer ansiedade, insegurança e até sofrimento emocional, especialmente para estudantes que tiveram dificuldades no ano anterior. Texto feito com dados da assessoria de imprensa.
A psicóloga Aline Peres de Carvalho aponta comportamentos que merecem atenção porque indicam que a criança ou o adolescente pode não estar emocionalmente preparado para esse recomeço. “É comum observar resistência à volta às aulas, desinteresse em reencontrar os amigos, pedidos para faltar nos primeiros dias e mudanças de humor mais intensas conforme o início do período letivo se aproxima”, explica.
Esses sinais não devem ser minimizados ou rotulados como “manha”. Pelo contrário, oferecem uma oportunidade para escuta e acolhimento pela família. “A principal recomendação é acolher as queixas, sem julgamentos ou críticas. O adulto precisa ouvir com interesse genuíno, fazendo perguntas para compreender os medos, os receios e os desejos da criança ou do adolescente”, orienta Aline.
Diálogo e escuta ativa são práticas fundamentais. Em vez de cobranças, pais devem fazer perguntas que ajudem o jovem a refletir sobre seus sentimentos. “O ideal é perguntar o porquê desses medos, o que está causando o desconforto, o que mudou e se existe algo que poderia ajudá-lo nesse momento. Isso fortalece o vínculo e mostra que ele não está sozinho”, afirma a psicóloga.
Resgatar memórias positivas da escola pode reduzir a ansiedade e ampliar a percepção de ganhos potenciais na volta às aulas. “Os pais podem perguntar se ele tem lembranças boas da escola, dos amigos, de situações positivas do ano anterior, e se acredita que isso pode se repetir. Esse exercício ajuda a diminuir a ansiedade e ampliar o olhar para possibilidades de ganho”, acrescenta Aline.
Além do acolhimento em casa, é possível buscar soluções práticas envolvendo a escola e respeitando os limites emocionais de cada jovem. “É importante perguntar se há algo que o pai ou a mãe possam fazer: acompanhar até a escola, conversar com o professor, com a coordenação ou até buscar um espaço onde ele possa falar livremente sobre esse desconforto”, orienta.
Se comportamentos como tristeza intensa, isolamento ou recusa frequente em ir à escola persistirem, a orientação é procurar apoio profissional. “Quando esses sinais continuam, a orientação de um psicólogo é essencial. O profissional pode ajudar a criança ou o adolescente e também fazer a mediação com a escola, facilitando a comunicação com professores e coordenação”, destaca.
Para Aline, a observação precoce é preventiva: “Quanto antes esse sofrimento for identificado e cuidado, menores são os riscos de agravamento. A volta às aulas precisa ser um processo de adaptação, não de imposição”, finaliza.
Sobre a profissional: Aline Peres de Carvalho é psicóloga formada pela PUC-PR, com 29 anos de atuação clínica, e possui diversas especializações em transtornos do humor, terapia cognitivo-comportamental, terapia dialética comportamental, orientação familiar, neurociência e psicologia sistêmica.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



