Janeiro Branco e a busca por pertencimento: Tieko Irii lança livro sobre memória e saúde mental

Em “As ruas sem nome”, a escritora nipo-brasileira revisita traumas geracionais e reflexões sobre identidade e cura emocional

Em meio à campanha Janeiro Branco, que destaca a importância do cuidado com a saúde mental, a escritora e artista visual nipo-brasileira Tieko Irii lança sua obra autobiográfica “As ruas sem nome” (Editora Patuá, 2025). Finalista do Prêmio Loba 2025, o livro propõe uma profunda reflexão sobre memória, identidade e pertencimento, cruzando três gerações de imigrantes japoneses no Brasil.

A obra nasce a partir da descoberta da autobiografia secreta do pai de Tieko, Hisashi Irii, cuja narrativa pessoal revela uma trajetória marcada por tragédias, coragem e silenciamento. “Quando meu pai finalmente contou sua história, entendi por que ele a manteve em segredo: era uma narrativa de tragédias, de transgressões e de coragem”, relembra a autora. A partir desse ponto, Tieko investiga suas próprias raízes e as lacunas da história familiar, mostrando como o silêncio e a dor atravessam gerações.

“As ruas sem nome” vai além da saga familiar ao abordar questões sociais como racismo, estereótipos e a complexidade de ser uma mulher nipo-brasileira em um país marcado por hierarquias raciais. A autora analisa o impacto do mito do “perigo amarelo”, da “minoria modelo” e do soft power japonês, além do projeto de branqueamento brasileiro e do racismo estrutural. “O projeto de branqueamento brasileiro, o mito da democracia racial brasileira […] nos colocou em um lugar paradoxal: nem totalmente aceitos, nem totalmente estrangeiros”, afirma Tieko.

A escrita do livro foi um processo de confronto, não de cura convencional. A autora precisou revisitar memórias dolorosas, como o racismo velado, a vergonha e a sensação de não pertencimento. “Aprendi muito, tive muitos insights, chorei muito, mas o que mudou foi ampliar a minha percepção sobre mim e a minha relação com o mundo”, conta. Estruturada em quatro partes, a obra intercala trechos da autobiografia do pai com relatos pessoais, desde a infância em São Paulo até a busca por pertencimento durante sua estadia no Japão nos anos 1980.

Além da narrativa textual, Tieko desenvolveu um trabalho artístico de colagem com arquivos familiares, unindo imagem e texto para reconstruir memórias apagadas. “Essa foi minha maneira de costurar afetos e ausências, e uma outra forma de tocar a experiência de ser nipo-brasileira”, explica.

Para a autora, publicar “As ruas sem nome” é um ato político. Ela reconhece que, durante o processo, sentiu que sua história era banalizada por estereótipos de gênero e raciais. “Perceber que a dificuldade de validar a minha história estava relacionado ao patriarcado, ao machismo e ao racismo estrutural […] foi libertador. Compreendi que podemos contar a nossa história, a importância de passar isso adiante e o quanto isso é transformador. Muda a nossa vida.”

Este lançamento chega em um momento de crescente discussão sobre representatividade asiática no Brasil, trazendo à tona temas essenciais para a saúde mental coletiva e individual, especialmente para mulheres que buscam entender suas múltiplas identidades e histórias. A obra de Tieko Irii é, portanto, uma contribuição valiosa para o diálogo sobre memória, identidade e autocuidado emocional.

Conteúdo elaborado com base em informações da assessoria de imprensa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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