A Arte como Protagonista no Projeto de Decoração: Início ou Final?

Descubra por que obras de arte devem inspirar e guiar o design de interiores desde o começo do projeto, transformando ambientes em verdadeiras experiências sensoriais.

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Definitivamente, obras de arte não são adereços que chegam apenas na reta final da decoração. Na verdade, o momento de pensar nessas peças – sejam obras de arte, quadros, esculturas ou outras possibilidades – pode ser lá no princípio, tornando-se o ponto de partida para o desenvolvimento do projeto.

Pela ‘lógica’ que permeia a mente de muitas pessoas, a curadoria das obras de arte que estarão nos ambientes entra em uma fase bem mais avançada do processo, quando é iniciada a etapa de decoração. Entretanto, a arte não é um personagem secundário. Muito pelo contrário, ela tem a expressão de um fio condutor para a execução do projeto de arquitetura.

“A depender do ‘peso’ que elas carregam, faz todo sentido que a gênese do processo aconteça a partir delas”, garante a arquiteta Daniela Funari. Dessa forma, ela diz que a peça – seja um quadro, uma escultura ou outra manifestação artística –, explora a potência e alcança a relevância merecida em um ambiente harmonizado nas cores, texturas, móveis e os demais elementos decorativos presentes.

Quando o cliente já tem um item do seu acervo pessoal ou compartilha uma referência, a ser buscada em galerias de arte, esse encadeamento ‘inverso’ muda por completo a adesão da obra pelo espaço, além de colocá-las como grandes personagens do décor.

Foi assim que a profissional idealizou seu ambiente Recanto de Histórias e Cores, uma ilha de bem-estar com 40m², para a CASACOR São Paulo 2025.

Para a concepção do ambiente, Daniela mergulhou no universo da literatura e nas múltiplas facetas da arte – em especial a oportunidade de reapresentar ao público telas que marcaram a 19ª edição da Bienal Internacional de Arte de São Paulo, realizadas pelo artista plástico Ivald Granato. Essas obras foram alocadas em posições estratégicas para garantir sua apreciação independente da posição do visitante.

Além disso, a escolha das cores vibrantes e pinceladas marcantes dessas telas repercutiu diretamente na paleta de cores trabalhada no ambiente. A partir das cores quentes das obras, a arquiteta elegeu mobiliário que dialoga com as tonalidades, criando uma composição harmoniosa e envolvente.

Porém, não basta apenas escolher o local onde as obras estarão; é fundamental considerar a maneira como serão evidenciadas. Ao pendurá-las através de um fio robusto fixado no teto, as peças parecem flutuar no ambiente, especialmente com o cortineiro de tecido em algodão que envolve todas as paredes, conferindo leveza e destaque.

O cuidado luminotécnico também é um diferencial: a iluminação foi pensada para valorizar o cortineiro e garantir uma luz completa e suave no espaço, ressaltando as obras e o conforto do ambiente.

Além das obras principais, a intervenção artística nas paredes das escadas, inspirada na Mata Atlântica, traz uma linguagem que une o universo orgânico da natureza com a geometria da arquitetura, criando uma experiência visual que convida à reflexão e à contemplação.

Complementando a ambientação, esculturas que remetem a livros abertos foram instaladas de forma leve no vão da escada, proporcionando conexão entre os degraus e simbolizando o semear dos sonhos através da literatura.

Essas escolhas artísticas e a integração cuidadosa entre arte e decoração revelam que a arte deve ser protagonista e ponto de partida nos projetos de arquitetura e interiores, transformando espaços em ambientes personalizados, acolhedores e carregados de significado.

D

Por Daniela Funari

arquiteta

Artigo de opinião

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