Toxina botulínica é uma das alternativas para tratar enxaqueca

Aplicação bloqueia a comunicação entre nervos e músculos, diminuindo a sensação de dor

Com causas desconhecidas, podendo ter como influência a predisposição genética e, às vezes, fatores ambientais e comportamentais, a enxaqueca atinge cerca de 31 milhões de pessoas no Brasil, segundo a OMS, sendo que 67% das pessoas que relatam ter o problema, precisam cancelar compromissos devido a intensidade dos sintomas.

A enxaqueca tem pelo menos duas das quatro características seguintes: dor unilateral, dor tipo pulsátil, intensidade de moderada a grave e piora da dor com atividade física. A duração da dor pode variar de 4 a 72 horas, podendo vir acompanhada de náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e aos sons, alterações na visão e na fala.

Além dos tradicionais tratamentos com medicamentos preventivos e analgésicos, atualmente é possível ter uma nova opção de tratamento com o uso da toxina botulínica, produto muito conhecido pelo uso estético.

“Desde quando a Anvisa liberou o uso da toxina botulínica para o tratamento da enxaqueca, tenho percebido uma resposta muito boa dos pacientes. Poucas pessoas se queixam de sensibilidade no local da aplicação, que é feita com o objetivo de bloquear a comunicação entre nervos e músculos, diminuindo a percepção de dor”, explica a Dra. Natália Longo, neurologista pela Santa Casa de São Paulo e neurofisiologista pelo HCFMUSP.

A aplicação da toxina botulínica para cefaleia está associada ao tratamento profilático, para otimização e diminuição do tempo do tratamento medicamentoso, sendo necessário a avaliação do especialista para identificar as pessoas que são candidatas a este tratamento.

“As aplicações da toxina botulínica para tratamento de dor de cabeça são diferentes dos pontos de aplicação para tratamento estético, sendo em comum somente 7 dos 31 pontos utilizados para o tratamento da enxaqueca ou outras dores de cabeça. Estes pontos são aplicados na cabeça, nas áreas anteriores e laterais, nuca e ombros. O histórico clínico de cada paciente é que vai dizer por quanto tempo ele precisará fazer as aplicações, mas no início do tratamento, os três primeiros ciclos de aplicação têm que o correr com um intervalo de três meses. Depois deste período, dependendo da resposta do paciente ao tratamento, é possível espaçar as aplicações ou suspendê-las”, contou a Dra. Natália Longo.

O tratamento com toxina botulínica é contraindicado para quem tem doenças na junção muscular, gestantes e pessoas com infecções.

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