Tenho fibromialgia, e agora?

No Mês de Conscientização e Combate à Fibromialgia, especialista fala sobre a enfermidade, diagnóstico e atitudes que pessoas acometidas não podem deixar de atentar

Caracterizada por uma dor crônica que se manifesta pelo corpo todo, especialmente nos tendões e articulações, a síndrome da Fibromialgia (FM) está associada a outros sintomas como fadiga, alterações do sono, distúrbios emocionais e psicológicos, tais como depressão e ansiedade, alterações cognitivas de memória e de atenção, e até distúrbios intestinais.

Como o diagnóstico da fibromialgia é clinico, ou seja, não existem exames que a comprovem, chegar a uma conclusão pode ser uma longa jornada, principalmente pela falta de informação do paciente, descrédito de parentes e até profissionais, além da banalização da dor. Com a vida mais corrida e o acumulo de tarefas, o senso comum de muitas pessoas acredita que sentir dor é parte da rotina, mas não é. Por isso, a Dra. Bruna Giusto, reumatologista na Cobra Reumatologia, alerta para os critérios para um diagnóstico precoce e o tratamento correto, que apesar de exigir cuidados multidisciplinares, com o possível auxílio de um fisioterapeuta e um psicólogo, deve ser acompanhado por um reumatologista.

Entre os critérios de avaliação para o diagnóstico estão:

–  Dor difusa por mais de três meses;

–  Sensibilidade ao toque;

–  Presença de áreas de dor. Como o paciente com fibromialgia não consegue delimitar a dor, procurar por pontos para o diagnóstico é um erro, pois os mesmos podem ser confundidos com quadros de artrite.

–  Fadiga e alterações no sono.

– Alterações de concentração e memória (muito comum)

– Alterações urinárias

Em 90% dos casos, as pessoas acometidas pela doença reumatológica são mulheres entre 35 e 50 anos, no entanto homens, crianças, adolescentes e idosos também estão suscetíveis.  Mas e, então, tenho fibromialgia, e agora?

Segundo a Dra. Bruna os tratamentos para a enfermidade têm se mostrado bastante eficazes no controle da doença e, por isso, o importante é buscar ajuda médica assim que os sintomas começarem. Para o tratamento medicamentoso há o uso de moduladores da dor, como antidepressivos duais (duloxetina, venlafaxina) e da classe dos anticonvulsivantes (pregabalina, gabapentina).

Outros pontos que são fundamentais para o controle da dor, ressalta a especialista, são a prática de atividade física regular individualizada para a pessoa, terapia cognitivo comportamental e atividades de mindfulness. Por isso, seguem algumas dicas:

– Mantenha um programa regular de exercícios físicos. Sempre converse com seu médico sobre as melhores opções de atividades.

– Busque encontrar equilíbrio e fugir de situações que aumentem o estresse, já que o emocional está diretamente ligado às crises. Meditação, massagem e acupuntura podem ser grandes aliados.

– Procure se desconectar totalmente quando for dormir, desligue todas as luzes, barulhos e distrações.

– Se seu trabalho exige que fique sentado por longas horas, busque sempre a posição mais confortável.

– Procure se informar por fontes médicas confiáveis sobre quais tratamentos seguir e como proceder durante as crises.

– Busque um médico reumatologista com quem se identifique para partilhar seu tratamento e sua jornada. Uma boa rede de apoio e confiança em seu médico faz toda diferença. Esclareça suas dúvidas sempre.

Dra. Bruna Giusto – reumatologista na clínica Cobra de Reumatologia, fez residência médica pela Universidade São Paulo (USP) e atua no Hospital Nove de Julho

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