Conheça a história do mito da Lilith, a mãe de todas as bruxas

A primeira mulher do mundo não nasceu de nenhuma costela de um homem. Como Adão, ela nasceu inteira. Deus criou Lilith da mesma forma que o primeiro homem do mundo: do barro.

E por ela ter autonomia plena do seu corpo e suas ideias, não aceitou ficar por baixo durante relação sexual. E quando teve uma negativa, ela fez o que qualquer mulher livre e autônoma faria: saiu daquele relacionamento e do lugar que moravam.

Ainda existe um longo caminho pela frente para aceitarmos a Lilith que existe dentro de cada uma de nós. Nossa liberdade, nosso potencial erótico. A Lilit, criada em 2019 por Marília Ponte, nasceu para nos conectarmos com nossa essência. O primeiro produto da empresa, o Bullet Lilit, é um vibrador no tamanho de um batom, perfeito para descobrir os seus pontos de prazer.

A ORIGEM DO MITO DE LILITH

O mito de Lilith acompanha a história das sociedades patriarcais. A história que conhecemos surgiu no Alfabeto de Ben Sirá, um dos textos rabínicos do livro sagrado judaico Talmud – e virou uma piada entre os antigos rabinos e católicos. Era engraçado uma mulher não querer ficar por baixo de um homem no sexo. Que tipo de mulher faria isso?

A verdade é que Lilith surgiu com os primórdios da escrita humana. Na Épica de Gilgamesh, poema da mesopotâmia escrito pelos antigos sumérios que conta a origem da vida, ela era vista como um demônio da floresta. Metade coruja, metade mulher, ela se abrigava na árvore sagrada Huluppu – junto com sua serpente e ave de estimação. Quando a deusa Inanna quis morar na árvore, Gilgamesh destrói as raízes da árvore e faz uma cama para Inanna, expulsando Lilith de seu lar.

E como sua fuga no Épico de Gilgamesh, seu nome foi constantemente apagado e desumanizado. Em certas versões da Bíblia, com a do King James, o capítulo 2 de Gênesis é completamente diferente. Adão olha para Eva e fala: “Essa, sim, é osso dos meus ossos”.

Segundo a tradição da Kabbalah, conta-se que Lilit mora nos oceanos mais profundos, vigiada e censurada por guardiões supremos que não a permitem voltar à Terra.

A MÃE DE TODAS AS BRUXAS

Uma mulher autônoma e livre, no seu potencial erótico e feminino, considerada pária da sociedade e um demônio terrível. O mito de Lilith cunhou o arquétipo da bruxa. Não é à toa que no Manual das Inquisições Católicas, Lilith é classificada com um terrível demônio sexual, que rouba maridos e mata crianças.

Mas mesmo com todo o ataque, o ódio e o patriarcado, Lilith resistiu. Marta Robbles, autora de Mulheres, Mitos e Deusas, argumenta: “Sempre renovada e infatigável, Lilith se aloja em cada mulher que imagina ser possível a verdadeira equidade, em cada mulher que perturba os sonhos e devaneios dos homens, naquela que menciona o inefável nome de Deus não para acatar seus desígnios, mas para salientar o alento transformador de sua própria criatividade.”

Lilith virou um movimento de resistência. Dos anos 70 para cá, com o neopaganismo e as revoluções feministas desde a criação do anticoncepcional, Lilith virou uma heroína. Mas a cultura popular insiste em repercutir sua visão maléfica. Na série True Blood, ela é uma vampira, mãe de um exército do mal. Em outras, como nos quadrinhos Sabrina, é uma bruxa que tenta se desvencilhar de Lúcifer e comandar o Inferno.

SOMOS TODAS LILIT

Ainda existe um longo caminho pela frente para aceitarmos a Lilith que existe dentro de cada uma de nós. Nossa liberdade, nosso potencial erótico. A Lilit, criada em 2019 por Marília Ponte, nasceu para nos conectarmos com nossa essência. Livre, autônoma, completa.

“Conheci o mito de Lilith quando dava meus primeiros passos na descoberta do meu próprio prazer. Descobri nela a origem mitológica da mulher livre, emancipada. Assim, entendi também que o erótico poderia deixar de preencher um espaço de culpa, vergonha e desconforto.”

Marília Ponte, fundadora da Lilit

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