FIV: o que significa transferência em blastocisto? – Afina Menina – Um Portal para todas Nós

FIV: o que significa transferência em blastocisto?

Especialista explica o significado desse termo que é tão comum em fertilização in vitro mas que, às vezes, confunde as pacientes

Mulheres que estão enfrentando dificuldades para engravidar sabem que a Fertilização in Vitro, ou FIV, é um dos tratamentos oferecidos na busca para realizar o grande sonho. Esse procedimento envolve algumas etapas no laboratório até que o embrião possa ser transferido para o útero.

É com relação a essa fase que muitas tentantes têm dúvidas, pois ouvem falar da tal transferência em blastocisto. De forma resumida, blastocisto é um estágio embrionário em que o embrião apresenta maior divisão celular.

Segundo a especialista em Reprodução Assistida, Cláudia Navarro, diretora clínica da Life Search, o embrião em laboratório que chega a blastocisto geralmente é de melhor qualidade. “A medicina reprodutiva busca ser um espelho do que acontece naturalmente. Na concepção natural, é no estágio de blastocisto que o embrião vai para a cavidade uterina”, compara. “Então, a FIV pode seguir esse raciocínio. Porém, isso não significa que a transferência seja sempre nesse estágio”, pondera a especialista.

FIV

Antes de entender em que momento exato o blastocisto entra em cena, é necessário pensar nas etapas envolvidas na FIV. “Após analisar exames e definir que a FIV será o tratamento adequado, o médico sempre orienta sobre as fases desse processo”, diz a médica.

As etapas da FIV podem ter algumas variações conforme cada caso, mas em linhas gerais são: estimulação ovariana, coleta de óvulos, coleta e preparação de sêmen, análise laboratorial de gametas, inseminação (fecundação em laboratório), cultivo em laboratório e transferência para o útero.

“A etapa de cultivo em laboratório é quando ocorre o crescimento, ou melhor, o processo de divisão celular dos embriões fecundados”, detalha Cláudia. “São poucos dias, mas fundamentais para o processo”, diz. E é aqui que entra a questão do blastocisto.

A médica explica essas etapas:

Dia 1: cultivo embrionário

“Geralmente, damos o nome de D1 ao dia seguinte da coleta ovular e assim por diante. Ou seja, é no D1 que se avalia se os óvulos foram fertilizados”, explica. Nessa fase, segundo Cláudia, as informações genéticas dos gametas se reorganizam, e o ideal é que já se visualizem dois pró-núcleos, que correspondem à fusão do material genético dos dois gametas.

D2: começa a divisão celular

O D2 representa o começo do processo de divisão celular do zigoto – embrião formado. “Primeiro, a divisão é em duas células, depois, cada célula se divide, resultando em um embrião com cerca de quatro a seis células. Em casos selecionados, a transferência de embrião pode ser realizada neste dia”, detalha a médica.

D3: embrião já pode ser transferido

Em D3, as divisões celulares continuam e, neste dia, o ideal é que o embrião tenha de seis a oito células. “A transferência para o útero já pode ser feita a partir de D3, e a gravidez seguir seu curso, de forma saudável e satisfatória. E é muito comum a transferência nesse estágio”, afirma Cláudia Navarro.

D4: continua com as divisões celulares

No dia 4, as divisões celulares vão continuando, gerando um aumento de células que, por sua vez, vão se compactando. “Chamamos de ‘mórula’ esse o processo de compactação celular, que permite conexões entre as células”, observa.

D5: permite a transferência em blastocisto

Entre o D5 e o D6, o embrião alcança o estágio de blastocisto, com centenas de células. A compactação das células (mórula) leva a essa divisão de cerca de cem células, distribuídas em dois grupos.

“A explicação é bastante técnica, mas, em linhas gerais, os dois grupos são o contorno periférico e a massa compacta unida ao trofoectoderma”, sintetiza. “Tudo isso, no fim das contas, deverá dar origem ao feto”, esclarece.

Não é regra!

Ainda de acordo com a médica, a transferência em blastocisto em um procedimento de FIV pode significar uma maior oportunidade de seleção embrionária, mas nem sempre é indicado prolongar essa cultura em laboratório, principalmente quando se tem poucos embriões. “É por isso que cada situação deve ser avaliada individualmente, de forma a favorecer a gravidez, e sempre lembrar que o tratamento de uma mulher não será o mesmo de outra”, finaliza.

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