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Entenda a importância de seguir as fases de recuperação após uma cirurgia bariátrica

O bypass gástrico é hoje o procedimento bariátrico mais realizado, mas, apesar disso, complicações podem ocorrer. Provavelmente todos os cirurgiões bariátricos conhecem essas complicações. As complicações do bypass gástrico podem ser divididas em dois grupos: as precoces e tardias, tendo em conta o período de duas semanas após a operação.

Para auxiliar na diminuição das complicações cirúrgicas os cuidados alimentares do pós-operatório são muito importantes, lembrando que deve ser acompanhado por um profissional especializado (nutricionista ou nutrólogo) para ajuste individualizado para cada paciente:

A dieta evolui gradativamente, passa por fases, e a adesão do paciente a essas fases é fundamental para que ocorra a sua perfeita adaptação ao novo estômago, evitando assim complicações.

  •  Fase I – Dieta Líquida coada – Do 1° ao 7° dia após a alta hospitalar. Características: Dieta líquida coada, sem açúcar, pobre em gordura. Fracionamento: 20 ml (o equivalente a 1/2 xícara de café) a cada 5 a 10 minutos. Fazer de 7 a 8 refeições /dia (150 ml/refeição)
  • Fase II – Dieta Líquida completa ( Batida) – Do 8° ao 15° dia após a alta hospitalar. Características: preparações liquidificadas (preparações batidas homogêneas ) sem açúcar de adição e pobre em gordura. Ingerir líquidos até atingir 2 litros no dia. Fracionamento: 7- 8 refeições/dia (150ml por refeição) ,20 ml a cada 5 a 10 minutos
  • Fase III – Dieta Branda (alimentos bem cozidos, consistência macia)- Do 16° ao 30° após a alta hospitalar. Características: alimentos bem cozidos e amassados sob a forma de papa. Ingerir líquidos até atingir 2 litros no dia. Fracionamento: 7 a 8 refeições ao dia, pequenos volumes.
  • Fase IV – Dieta Geral – A Partir do 1° mês da alta hospitalar. Características: introdução de alimentos sólidos abrandados pelo cozimento (macios – bem cozidos), pobres em gordura e sem açúcar. Fracionamento: 6 a 7 pequenas refeições ao dia.

Mesmo seguindo todas as orientações, complicações podem ocorrer, entre as complicações mais comuns, está a estenose das anastomoses, e os dois potenciais locais de estenoses são: a jejunojejunostomia e a gastrojejunostomia, sendo esta última o lugar mais comum de ocorrência. É relatado ocorrerem em 5-27% dos casos, geralmente no prazo de 90 dias após a operação. Os sintomas geralmente consistem em vômitos pós-prandiais persistentes ou agravados, com ou sem dor. A causa da formação da estenose não está completamente clara; os possíveis mecanismos incluem isquemia causando cicatrizes, formação de cicatriz excessiva não isquêmica, ulceração marginal recorrente, tensão ou mau posicionamento da anastomose, e a própria técnica cirúrgica. É por esta razão que a cirurgia robótica desempenha um papel fundamental através da via minimamente invasiva diminuindo drasticamente esse tipo de complicação

Se complicações ocorrerem, a endoscopia é o método de diagnóstico preferido e tem a vantagem adicional de ser terapêutico. Vários estudos têm mostrado que a dilatação com balão endoscópico é o primeiro passo para o tratamento. Os resultados mostraram que 17-67% dos casos, respondem à primeira dilatação, ao passo que em 3-8% de casos foram necessárias três ou mais dilatações. Cicatrização tardia e fibrose da anastomose seriam fatores proibitivos e colocariam o paciente em risco aumentado de perfuração durante a dilatação.

Felipe Borges: médico cirurgião do aparelho Digestivo e cirurgia bariátrica

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