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O estranho cacto que vale por um bifinho

Por Valter Casarin*

Cada vez mais popular e disponível, o ora-pro-nobis é uma planta caseira cuja característica surpreende de várias maneiras. Trata-se de um cacto com folhas, o único de todos os cactos a produzir folhas verdadeiras.

É uma trepadeira cactácea folhosa, com folhas e frutos que servem de alimento. Na cozinha mineira, é usada como tempero para frango. As folhas também podem ser consumidas cruas em chás, saladas e sucos ou moída como farinha para ser usada no preparo de massas e pães. Os agricultores de Minas Gerais chamam de lobrobó ou orabrobó.

Com objetivo de melhorar a percepção da população em relação às funções e os benefícios da adubação, temos no Brasil, desde 2016, a iniciativa Nutrientes Para a Vida (NPV). Possui visão, missão e valores análogos aos da coirmã americana, a Nutrients For Life.

O ora-pro-nobis, por exemplo, alcança o pleno desenvolvimento com maior disponibilidade de nutrientes. Assim, é recomendada a adubação a cada dois meses, principalmente com nitrogênio e enxofre, dois elementos fundamentais na produção de proteína.

Outra característica incomum: ele começa a crescer na vertical, mas com o tempo, ou seja, alguns anos, sobe ou rasteja dependendo do apoio oferecido. Pode então atingir o comprimento considerável de 10 m.

Obviamente, em casa, limitamos suas ambições podando-o regularmente, mas se o deixarmos um pouco livre, torna-se uma magnífica planta.

A origem do ora-pro-nobis permanece obscura. Tudo indica que se trata de variedade que cresce da Flórida, Estados Unidos, ao sul do Brasil, passando pelas Índias Ocidentais. Além de proteína, é rico em magnésio, fósforo, cálcio, manganês, ferro e vitaminas A, B e C.

Em inglês, leva o nome de groselha de Barbardos. Aqui é conhecido como “carne de pobre”, alusão ao fruto da planta, um pequeno fruto comestível, muito rico em proteínas. Mas o termo mais estranho é sem dúvida o “ora-pro-nobis”, “rogai por nós” em latim – alusão ao caráter invasivo da planta e às dificuldades de erradicá-la por causa das picadas de seus espinhos.

As flores e os frutos da ora-pro-nobis também são comestíveis, mas sempre tome cuidado ao manejar em virtude dos espinhos. As flores e frutos iniciam após o segundo ano após o plantio. Os frutos acontecem no período de junho a julho.

Acrescentar a ora-pro-nobis em sua salada pode representar uma parte importante da proteína necessária em sua dieta. Outras opções podem ser realizadas com a ora-pro-nobis, vai depender de sua criatividade na culinária. Coloque essa preciosidade da natureza em sua alimentação, seu corpo vai agradecer!

 

Valter Casarin, engenheiro agrônomo, coordenador científico da iniciativa Nutrientes para a Vida (NPV)

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