O baú – Afina Menina

O baú

Tentando arranjar um espaço  para guardar algumas coisas em desuso,  em um sótão já entulhado de quinquilharias,  achei um velho baú.
Ao abrí-lo, deparei-me com cartas, bilhetes, recortes de jornais e anotações  das minhas alegrias, tristezas, frustrações e desejos.
Achei, também, algumas fotos já amareladas pelo tempo, que me trouxeram gratas e doces recordações, e com elas uma saudade quase palpável  de um tempo que não volta mais.
E com uma dose de melancolia, aqueles tempos voltaram à minha memória.
Do que fiz, senti saudade…
Do que deixei de fazer, arrependimento? Talvez… Não sei…
Mas, de repente, um desejo forte, arrebatador, quase doentio, veio aguçar a minha mente, embora tardia, vontade de tentar mais uma vez… Mesmo sabendo que nada será como antes… Mas… “Quem sabe? E se der certo agora?”
Já sei que não dará!
O tempo encarregou-se de transformar tudo e o que ficou intacto, está guardado num cantinho esquecido em algum lugar remoto do meu “baú de recordações”.
Lembranças fazem parte da vida de todo mundo, e já que as “doces reminiscências” estavam silenciadas  e eu nem senti falta delas, porquê reacender chamas extintas ?
Mas, e se por acaso o destino me permitir voltar a vivê-las?
 Não quero ferir ninguém. Não quero machucar pessoas por conta da minha ânsia de querer o que, à época, não pude ter.
E, se realmente eu voltar,  impelido  pela curiosidade  de ver e sentir o que poderia ter sido?
Que eu tenha dignidade;  que eu seja honesto; que eu não viva de mentira e ilusão;  que eu não me torne uma sombra do que fui e que não me esqueça de quem sou e, acima de tudo, que eu não comprometa quem conviveu comigo antes deste previsível, malfadado e desastrado voo para o… Nada.
E quando as minhas asas, já cansadas de tantos voos sem rumo, sem paradeiro, perderem as forças e como um raio me estatelar no chão,  ferido, perdido e sozinho em meio a um turbilhão de “como e por quê”, eu me lembre do que  (e de quem) deixei para trás em nome da minha falsa  liberdade  (e felicidade) e que eu tenha  a sorte, talvez de encontrar quem me dê a mão  e me conduza  ao lugar de onde nunca devia ter saído e lá quem sabe, me deixem ficar, onde descobrirei que o mais importante não é bater as asas, mas sim, ter um lugar pra voltar.
E quiçá, me seja dado o benefício da remissão. 
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