Queda na cobertura vacinal no Brasil exige atenção para evitar o retorno de doenças erradicadas como a poliomielite – Afina Menina

Queda na cobertura vacinal no Brasil exige atenção para evitar o retorno de doenças erradicadas como a poliomielite

24 de outubro é o Dia Mundial de Combate à Poliomielite, doença prevenível por vacinação e cuja taxa vacinal vem caindo nos últimos anos

No mês marcado pelo Dia Mundial de Combate à Poliomielite, o Governo Federal promove, de 5 a 30 de outubro, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Pólio, que tem como meta imunizar 10.718.303 das crianças com menos de cinco anos de idade até o dia 30 de outubro, abrangendo 95% do público-alvo da campanha1.

 O objetivo é reforçar a importância da prevenção e o acesso às vacinas e, reduzir o risco de reintrodução do poliovírus o país, por meio de estratégias diferenciadas para as crianças menores de um ano e para aquelas na faixa etária de 1 a 5 anos de idade1. A campanha será indiscriminada, ou seja, não é necessário respeitar o intervalo mínimo entre a dose da vacina oral administrada e a dose de rotina1.

 O último caso de poliomielite registrado no Brasil ocorreu em 1989, sendo que a doença foi considerada oficialmente erradicada no país em 19942. Porém, a queda na cobertura vacinal, com dados de 2019 indicando que nenhuma das vacinas para crianças até um ano de idade atingiram a meta do Ministério da Saúde3, traz um alerta para o risco de retorno da doença. Entre 2018 e 2019, a cobertura da poliomielite para as doses até os 15 meses foi reduzida de 89,54% para 83,74% e, em 2020, está em 65,64% até o momento3.

Este cenário acende um sinal de alerta, já que a vacinação é a única forma de prevenção contra a doença4. “O esquema vacinal contra a poliomielite no Brasil segue o uso de três doses injetáveis e duas doses de reforço orais5. “A vacina oral traz o vírus da pólio atenuado, ou seja, enfraquecido. Já a versão injetável conta com o vírus inativado em todas as doses6”, explica Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). 

 As doses estão disponíveis gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo Programa Nacional de Imunizações, devendo ser tomadas três doses injetáveis contra os três tipos de poliovírus (1, 2 e 3), aos 2, 4 e 6 meses de idade7. E duas doses de reforço orais, que protegem contra os poliovírus 1 e 3 devem ser tomadas aos 15 meses e aos 4 anos de idade7.

Na rede privada, é possível encontrar a opção da vacina hexavalente, que traz a prevenção contra a poliomielite combinada à proteção de outras cinco doenças (hepatite B, coqueluche, tétano, difteria e doenças causadas pela bactéria Haemophilus influenzae tipo b) em uma única vacina injetável8, devendo ser aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida, com reforço entre 15 e 18 meses de idade e 4 e 5 anos9.

 

Sobre a poliomielite

 Também conhecida no Brasil como paralisia infantil, a poliomielite é uma doença viral altamente infecciosa5, causada pelos tipos 1, 2 e 3 do poliovírus. Os tipos 2 e 3 já foram considerados erradicados, enquanto o tipo 1 ainda afeta dois países no mundo: Paquistão e Afeganistão10. A doença, que não tem cura, acomete principalmente crianças com menos de 5 anos de idade10, mas também pode atingir adultos5.

“A transmissão da poliomielite pode ocorrer de pessoa para pessoa, por meio de secreções eliminadas ao falar, tossir ou espirrar11. É possível, também, que aconteça por transmissão oral-fecal, em decorrência da contaminação da água e de alimentos com fezes11”, como explica Luiza Helena Falleiros Arlant, membro do departamento de infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Até 90% das pessoas infectadas apresentam sintomas leves ou nenhum4, mas, mesmo nesses casos, é possível que o ocorra a transmissão do vírus11.

Algumas sequelas da poliomielite podem ser dores nas articulações, pé torto, crescimento diferente das pernas, osteoporose, dificuldade na fala, atrofia muscular, hipersensibilidade ao toque e paralisia dos membros inferiores, dos músculos da fala e da deglutição5. Aproximadamente um em cada 200 casos leva à paralisia irreversível10. Dos que têm paralisia, entre 5-10% morrem após os músculos serem imobilizados10.

 A Síndrome Pós-Polio pode afetar entre 25 e 40 de cada 100 sobreviventes da pólio12 e trazer problemas como enfraquecimento e atrofia muscular, fadiga, dores decorrentes da degeneração articular e deformidades no esqueleto, como escoliose13.

 

Iniciativa para Erradicação Global da Poliomielite

Em 1988, foi lançada Iniciativa para Erradicação Global da Poliomielite (GPEI), que possui como membros a Organização Mundial de Saúde, Rotary Internacional, Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) e UNICEF10. Posteriormente, se juntaram a Fundação Bill e Melinda Gates e a GAVI, a Aliança da Vacinas10. Desde sua implementação, o número de casos de poliomielite no mundo foi reduzido em mais de 99%, partindo de cerca 350 mil ocorrências em 125 países endêmicos para 33 em 201810. Graças ao plano de erradicação da doença, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 1,5 milhão de mortes infantis foram prevenidas10.

 Além de fazer parte da GPEI, no Brasil, a Sanofi Pasteur é parceira da Bio-Manguinhos, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), para introdução da vacina inativada contra poliomielite (VIP) no Programa Nacional de Imunizações14.

 

Referências

1Ministério da Saúde. Informe Técnico Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite e Multivacinação para Atualização da Caderneta de Vacinação da Criança e do Adolescente. Disponível em: https://sbim.org.br/images/files/notas-tecnicas/informe-campanha-polio-multivacinacao-2020-final.pdfAcesso em 13/10/2020

Fiocruz. Brasil apresenta ações de erradicação da poliomielite. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/noticias/987-brasil-apresenta-acoes-de-erradicacao-da-poliomielite Acesso em 06/10/2020

3 DATASUS. Imunizações Cobertura Brasil. Disponível em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/dhdat.exe?bd_pni/cpnibr.def Acesso em 13/10/2020

WHO. Poliomyelitis. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/poliomyelitis#tab=tab_1 Acesso em 06/10/2020

5 Ministério da Saúde. Poliomielite. Disponível em: http://antigo.saude.gov.br/saude-de-a-z/poliomielite. Acesso em 06/10/2020

Sociedade Brasileira de Imunizações. Vacinas Poliomielite. Disponível em: https://familia.sbim.org.br/vacinas/vacinas-disponiveis/vacinas-poliomielite. Acesso em 13/10/2020

Secretaria de Saúde de Goiás. Calendário Nacional de Vacinação 2020. Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/files/imunizacao/calendario/Calendario.Nacional.Vacinacao.2020.atualizado.pdf. Acesso em 13/10/2020

Albert Einstein. Dose única a múltipla proteção. Disponível em: https://www.einstein.br/noticias/noticia/dose-unica-multipla-protecao. Acesso em 13/10/2020

9 Calendário de vacinação do nascimento aos 19 anos – 2019-2020. Sociedade Brasileira de Imunizações. Disponível em: https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-pg-crianca-adolesc-0-19.pdf. Acesso em 13/10/2020

10 WHO. Poliomyelitis – Key Facts. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/poliomyelitisAcesso em 06/10/2020

11 Fiocruz. Poliomielite: síntomas, transmissão e prevenção. Disponível em: https://www.bio.fiocruz.br/index.php/br/poliomielite-sintomas-transmissao-e-prevencao Acesso em 06/10/2020

12 Centers for Disease Control and Prevention. Post-polio Syndrome. Disponível em: https://www.cdc.gov/polio/what-is-polio/pps.htmlAcesso em 16/10/2020

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13 National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Post-polio syndrome Fact Sheet. Disponível em:https://www.ninds.nih.gov/disorders/patient-caregiver-education/fact-sheets/post-polio-syndrome-fact-sheet. Acesso em 16/10/2020

14Sanofi. Parcerias em Saúde Pública. Disponível em: https://www.sanofi.com.br/pt/solucoes-em-saude/vacinas/parcerias-em-saude-publica Acesso em 15/10/2020

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