Tudo sobre – Cirurgia bariátrica – Afina Menina

Tudo sobre – Cirurgia bariátrica

Técnica é recomendada apenas em último caso, quando todos os outros tratamentos não surtiram efeito

Olá! Hoje eu resolvi falar sobre cirurgia bariátrica. Não estava nos meus planos falar sobre ela agora, mas como surgiram alguns questionamentos de pessoas que não entendem o que é e acham que o procedimento é feito exclusivamente por estética, resolvi compartilhar a minha experiência.

Como diz a minha amiga Letícia, do Maternar, leia com carinho!

<3

Ah, se puder, leia ouvindo The Long And Winding Road – The Beatlesclica aqui!

😉

Passei a vida toda em um engorda e emagrece sem fim. Eu mesma fazia piadas de mim para que não desse aos outros a oportunidade de me julgarem ou tirarem sarro da minha cara! Sim, as pessoas são maldosas e só quem já esteve do lado de lá sabe o que é isso.

Depois de diversas tentativas sem sucesso para emagrecer, resolvi retornar ao médico que me receitava “bolinhas” para perder peso. O ano era 2015.

Na época, eu fazia acompanhamento com nutrólogo e me matava na academia. Não, o meu objetivo nunca foi sair posando pelada, mostrando tudo na internet, como fazem diversos perfis Instagram afora.

Por estar diariamente na academia, às vezes 4 horas seguidas, acabei lesionando o ombro. Nessa época, eu fazia remadas em Canoa Havaiana também. Então, somada à academia, alimentação regrada e tratamentos que prometiam emagrecer, em um mês eu perdi três quilos. Por conta da lesão no ombro, tive que dar um tempo de uma semana na academia. E nessa pausa, eu engordei 5kg. E foi isso que me fez voltar ao mago das bolinhas.

Lá fui eu, com meus exames embaixo do braço. Eram cerca de 70 exames que o nutrólogo havia solicitado, então, seria fácil para que o médico receitasse uma dosagem cavalar que fizesse efeito.

Ao olhar meus exames, o médico disse: sim, eu posso te receitar o medicamento X e o Y. No entanto, você vai perder no máximo uns 20kg, e você precisa perder 40kg. Perdendo 20 kg, recuperando esse peso e somando mais 20kg, sim, o efeito rebote, serão 60kg a perder.

Desanimei.

Mas algo chamou a atenção do médico. Levei as receitas do nutrólogo para que ele avaliasse, afinal eu estava fazendo suplementação também. O nutrólogo dizia que eu tinha um déficit considerável de tudo. Ao olhar os meus exames, principalmente o do fígado, o mago das bolinhas me disse: “Preciso que você vá urgente a um hepatologista. Seu fígado já está com um grau de comprometimento bastante severo, e somado ao que o nutrólogo te receitou, isso vai te matar. Pare agora de tomar tudo o que ele te receitou e consulte esse profissional. Mas, por favor, considere a cirurgia bariátrica.”

Aquilo foi difícil de engolir, porque quando a gente está acima do peso, a gente tende a minimizar, não se achar tão grande assim. E a gente fica se comparando, buscando pessoas mais obesas do que nós para nos sentirmos melhores, mais magros. Um engano.

 

Não era uma opção

Saí do consultório aos prantos. Na minha cabeça, a cirurgia bariátrica era uma opção de fuga para pessoas preguiçosas, era o fácil, o rápido, estética. Mais um engano.

Nos dias que se seguiram, fui até a hepatologista. Brinco que ela jogou uma corda para medir a minha circunferência. Ela olhou os exames, as receitas do nutrólogo, me disse o que disse o outro profissional, para que eu suspendesse as suplementações, porque, em hipótese nenhuma, eu deveria tomar aquelas coisas, uma vez que meu fígado já estava comprometido.

A hepatologista não sabia dizer se o volume aumentado do fígado era esteatose, aquela gordura no órgão, ou alguma inflamação (eu havia passado por um tratamento severo de outra doença de 2007 a 2009 e isso poderia ter causado esse aumento). Fato é que em alguns dias, eu nem conseguia ficar ereta, porque sentia muita dor do lado direito. Um gastro me disse que o fígado não dói. Não dói mesmo, o que doía era a pele que o revestia, que estava tão esticada, estrangulando o órgão.

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Perguntei a hepatologista o que eu deveria fazer, já que com tudo o que eu fazia, seguindo à risca, não estava surtindo efeito. E ela me disse: a gordura no fígado, se for isso, só se perde com atividade física e alimentação. Mas você está fazendo isso tudo e não está dando resultado, então, vou te sugerir que converse com esse profissional. E escreveu em um papel o nome Giorgio Baretta.

Eu sorri, e perguntei: Poxa, que bom, ele vai resolver o meu problema?

Ela me disse: vá lá, agende uma consulta. Ele é cirurgião bariátrico.

Na mesma hora, chorei. Não podia aceitar aquilo. Eu queria emagrecer e recuperar a minha saúde na raça!

Saí do consultório (chorando), e como estava em um centro médico, esbarrei com o nome do profissional em uma das portas. O mês era junho e a recepcionista me disse que só teria consulta para setembro… Olhei a sala e ela estava cheia de pessoas obesas… Decidi não agendar… “Aquilo não é pra mim”, mais um engano.

Voltei e agendei a consulta para setembro mesmo.

 

Não foi uma “escolha”

 

Nessa consulta, levei todos os exames anteriores. O cirurgião, bastante atencioso, olhou todos eles e solicitou mais alguns. Quando retornei para a consulta com os novos exames, ele identificou que eu tinha resistência à leptina, que é o hormônio da fome e da saciedade. A atuação da leptina acontece principalmente no cérebro — numa área chamada de hipotálamo. A função da leptina é dizer para o seu cérebro — quando você tem gordura suficiente armazenada em seu corpo — que você não precisa comer mais. E que você pode queimar calorias tranquilamente. Mas isso não acontecia comigo. Ou seja, se eu comia pouco, meu organismo armazenava tudo, porque na “opinião” dele, sabe Deus quando eu comeria novamente.

Quando eu comia em excesso, ele “salvava” aquilo ali, porque, sabe Deus, na “opinião” dele, quando é que ele veria fartura novamente.

E assim eu fui percebendo várias coisas, entre elas o cansaço excessivo e o fato de eu NUNCA suar, e sou assim até hoje, simplesmente não suo.

O cirurgião me disse que, de acordo com meus exames, sendo filha de pai diabético e que faleceu por enfarte aos 58 anos, além de outros problemas anteriores de saúde que eu tive, eu não tinha comorbidades severas, mas estava a um passo de um transplante de fígado (a hepatologista chegou a preencher todas as guias para que eu entrasse na fila por um transplante), tinha uma complicação em uma vértebra, quase uma hérnia de disco e que, na melhor das hipóteses, eu teria 10 anos de vida pela frente se continuasse daquele jeito (de lá para cá, passaram cinco anos)… EU NÃO TIVE ESCOLHA!

Então, ele me explicou o procedimento, Bypass, que diminui o estômago e desvia o intestino.

 

Como essa técnica diminui a absorção de vitaminas, faço suplementação pela vida toda. Mas, antes tomar uma cápsula por dia de um suplemento, do que me encher de medicamentos para a pressão alta, diabetes, etc…

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O caminho foi longo, consultas com diferentes profissionais, pneumologista, psicólogo, fisioterapeuta, cardiologista, hepatologista, neurologista, e mais exames… Além disso, precisei de laudos anteriores de outros profissionais que me trataram de obesidade em outros anos, para comprovar que eu já havia tentado, por mais de dois anos, emagrecer por outros métodos.

Com todos os exames nas mãos, levei tudo ao cirurgião, que emitiu um laudo para ser entregue no plano de saúde. Sim existem requisitos, e não é somente o cálculo do IMC que define isso!

Lá fui eu, com aquele calhamaço de coisas. O plano de saúde faz cópia de tudo, fiquei mais de duas horas lá. Após uma semana, veio o resultado do plano de saúde e eles pediram para justificar a escolha de um trocater laparoscópico (usado para penetrar no abdome). Voltei ao cirurgião, troquei a guia e quando retornei ao plano de saúde, o atendente desatento, cancelou a minha solicitação.

Tive que fazer tudo novamente!

Uma semana depois, a minha cirurgia havia sido liberada. Retornei ao cirurgião que me explicou como seria o procedimento. A minha cirurgia foi por videolaparoscopia e foi realizada no dia 25 de novembro de 2015.

Eu e um familiar tivemos que assinar um termo de consentimento, dizendo que estávamos cientes do procedimento e dos riscos envolvidos, entre eles, o óbito.

Por isso que eu sempre digo, se você acha que é fácil, colega, vai lá e faz! Mas eu espero, do fundo do meu coração, que você já tenha esgotado todas as alternativas e que tenha tentado emagrecer por, pelo menos, dois anos consecutivos por outros métodos.

Se eu me arrependo de alguma coisa? Sim! De não ter feito antes. Mas talvez eu não soubesse lidar com tudo de bom que a cirurgia me trouxe, que vai muito além da perda de peso.

Digo que sou uma pessoa gorda num corpo magro, porque é a nossa relação com a comida que deve mudar, e se a gente não se policiar, engorda tudo de novo. O estômago é um órgão elástico, ou seja, se os hábitos e a cabeça não mudarem, não haverá cirurgia que resolva!

Meu estômago tem o tamanho de um copinho de café, perdi 40kg com a cirurgia bariátrica e eu vou muito bem, obrigada!

Repito: não se faz cirurgia bariátrica porque está com um pneuzinho ali ou aqui, não se faz cirurgia bariátrica se você quer perder uns 5kg, não se faz cirurgia bariátrica se você acha que é uma forma de emagrecimento simples e rápida.

Eu cheguei aos 113kg, operei com 105kg (tem gente que engorda para passar na perícia do plano de saúde. Eu não precisei de perícia, mas o meu médico pediu que emagrecesse um pouco, para dar mais segurança ao procedimento).

Bem, depois do textão, é isso!

Achei que era minha obrigação contar para quem quer fazer a cirurgia, para quem está na expectativa e para quem não conhece o caminho das pedras e fica falando besteiras na internet.

Não é o caminho mais fácil (nos próximos posts eu contarei sobre o meu pós-operatório, sobre os problemas que eu tive – sim, eu tive problemas), sobre a recuperação e, principalmente sobre a nova vida.

Obrigada por ter lido até aqui!

Um beijo e até a próxima!

<3

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