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Pandemia: o que passa na cabeça? Livros de psicanálise podem trazer uma nova perspectiva sobre as interações humanas para enfrentar o isolamento

Estamos à beira de um colapso. Pessoas estão enfrentando batalhas que jamais imaginariam passar. O mundo está lá fora, a vida continua a acontecer e não podemos sair. O que isso pode causar na saúde mental? Será que, no fim disso tudo, seremos encaixados em algum diagnóstico de transtorno?

Editora Aller, referência em publicações sobre psicanálise, apresenta dois livros que podem ser oportunidades únicas para o leitor aprofundar-se sobre os temas relevantes a esse tempo, além de encontrar uma forma de se manter psiquicamente são e com a capacidade critica aguçada.

Laços possíveis
O isolamento social trouxe problemas econômicos e a convivência nesse período prolongado fez aflorar conflitos de relacionamento que poderiam estar submersos entre as obrigações da rotina anterior. Nesse período, os pedidos de divórcio apresentaram um crescimento significativo em diversos países. Com problemas antigos potencializados, outros novos surgiram como traições e desentendimentos, aumentando casos de violência domestica contra a mulher e contra crianças e adolescentes. Até o lar pode ser um ambiente ameaçador.

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Laços possíveis, obra organizada pelas psicanalistas Renata KerbauyMárcia Barone Bartilotti Gislaine Varela Mayo De Dominicis, professoras do tradicional Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, traz a perspectiva de que cada crise é um caso singular sendo, muitas vezes, necessário o acompanhamento clínico. Cada texto do livro aprofunda uma perspectiva de atendimento e analisa um caso específico, mostrando os caminhos que a psicanálise pode seguir para auxiliar em cada questão apresentada. Uma leitura indispensável para quem está há mais de quatro meses, durante 24 horas por dia, convivendo intensamente com seus familiares.

 

Ensaios Sobre Mortos-vivos
O isolamento, rostos pálidos, corpos sem contato humano que se movimentam como se fossem autômatos, vagueiam pelas ruas de máscaras, luvas em busca de algo que possa satisfazer sua fome. Poderia ser um cenário zumbi, mas trata-se do nosso novo normal. A sociedade já não é mais a mesma, os dias parecem se repetir, os projetos que pretendíamos realizar ficaram suspensos, nossa vida está resumida à nossa casa e não sabemos o mundo que encontraremos quando voltarmos a cruzar as portas da rua.

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Conveniente ao momento atual, Ensaios Sobre Mortos-vivos, organizado por Rodrigo Gonsalves e Diego Penha, apresenta uma oportunidade para a reflexão de se realmente éramos senhores de nossas escolhas ou simplesmente vivíamos automatizados? Em que consistia a vida que levávamos? E a que levamos agora? A partir de um olhar ora político, ora psicanalítico, ora artístico, mas sempre contextualizando sobre o simbólico dos corpos sem alma, os textos reunidos esmiúçam o conceito de decomposição para revelar o que há de comportamento zumbi nas relações humanas (ou desumanas).

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