ANS dá parecer desfavorável a três dos quatro imunobiológicos que estão em consulta pública

Quatro medicamentos (Alentuzumabe, Benralizumabe, Mepolizumabe e Omalizumabe) para asma grave estão em consulta pública. Se aprovados, os planos de saúde terão que oferecer cobertura já em janeiro de 2021. Conhecidos como imunobiológicos, esses medicamentos têm um alto custo e, por isso, a importância de ser inserido no rol de procedimentos da ANS.

O presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) explica que, embora os quatro medicamentos sejam importantes para o paciente, apenas um recebeu aprovação da ANS e, por isso, abriu-se consulta pública para tentar reverter essa decisão e incluir os outros três medicamentos.

Em maio de 2019, a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia submeteu ao processo de atualização do Rol de Procedimentos – ANS  11 dossiês técnico-científicos solicitando a inclusão de vários procedimentos diagnósticos e terapêuticos para pacientes com doenças alérgicas e imunodeficiências primárias. A inclusão no Rol de Procedimentos ANS garante a cobertura obrigatória pelas operadoras de saúde. Dentre os procedimentos solicitados incluem-se os imunobiológicos para a asma grave.

Para a Dra. Norma Rubini, Coordenadora de Políticas de Saúde da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a inclusão dos imunobiológicos no Rol de Procedimentos será uma conquista para a sociedade brasileira. “São medicamentos com eficácia e segurança comprovadas e que são disponibilizados por vários sistemas de saúde internacionais. Contudo, seu alto custo dificulta o acesso para a maioria dos brasileiros. Vários pacientes recorrem a ações judiciais para ter direito ao tratamento”, explica Dra. Norma.

Para participar da Consulta Pública, acesse o link. Clique na página da ANS responda às questões. É uma pesquisa rápida, mas que pode beneficiar milhares de pessoas que sofrem de asma grave.

Cerca de 47 milhões de brasileiros (23% da população brasileira) têm acesso aos planos de saúde que são regulados pela ANS.

Estudos epidemiológicos nacionais estimam que mais de 20 milhões de brasileiros, entre crianças e adultos, sofrem com asma. Desse total, cerca de 5% apresentam a forma mais grave da doença. A asma é responsável pela 4ª causa de internação no Brasil e pela morte de cerca de duas mil pessoas por ano. Alguns estudos apontam que o uso dos imunobiológicos para o tratamento de asma grave pode reduzir o número de internações entre 40% a 70%.

 

Tratamento com Imunobiológicos – Esses medicamentos de última geração só estão indicados para pacientes com asma grave, ou seja, pacientes que necessitam de terapia padrão (associação de dois ou mais medicamentos) em altas doses para obter o controle da doença ou que apesar desta terapia mantém as exacerbações da asma.

O Dr. Gustavo Wandalsen, Coordenador do Departamento Científico de Asma da ASBAI, explica que os imunobiológicos devem ser utilizados para pacientes refratários ao tratamento farmacológico tradicional. “Quando prescritos corretamente, são capazes de reduzir as exacerbações, as hospitalizações, os sintomas da asma, assim como melhorar a qualidade de vida e a função pulmonar”, relata o especialista.

“Com os imunobiológicos, os pacientes graves têm chance muito maior de controlar a asma, reduzir as crises e resgatar sua qualidade de vida, podendo, por exemplo, voltar a praticar esportes e realizar atividades ao ar livre”, comenta Dr. Wandalsen.

Muitos pacientes conseguem, com os imunobiológicos, reduzir outras medicações. “Há casos de pacientes que não precisam mais fazer uso de corticoides orais e, consequentemente, deixam de ter os efeitos colaterais que esse tipo de medicação ocasiona, como os inchaços, aumento da pressão arterial e problemas oculares”, conta o especialista da ASBAI.

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