A Revolução dos Procedimentos Estéticos Não Invasivos no Brasil
Como a tecnologia e a biotecnologia estão democratizando a estética e redefinindo padrões de beleza na classe média brasileira
Os procedimentos estéticos não invasivos ganharam novo status no mercado global. Mais do que tendência de celebridades, tornaram-se um segmento que movimenta bilhões de dólares e avança sobre o público da classe média. A previsão da Fortune Business Insights indica que o setor de estética não cirúrgica deve atingir US$ 25,9 bilhões até 2028, impulsionado pela demanda por resultados rápidos, seguros e com aparência natural.
No Brasil, esse movimento ganha força com o avanço da biotecnologia, a chegada de equipamentos médicos cada vez mais sofisticados e a disseminação do conceito de “Era do Invisível”, em que a estética atua de forma sutil, mas com impacto visível. A sofisticação tecnológica é o motor dessa revolução. Resultados que até poucos anos dependiam de cirurgias, cortes e longos períodos de recuperação hoje podem ser alcançados por técnicas não invasivas. São procedimentos mais rápidos, menos dolorosos e com efeitos consistentes, fruto do avanço tecnológico que vivemos no setor.
A estética deixou de ser um movimento guiado apenas por celebridades e influenciadores para consolidar-se como um mercado em expansão, apoiado na ciência e na inovação tecnológica. No Brasil e no cenário global, o setor vive um ciclo de crescimento consistente. Projeções indicam que o mercado mundial de estética e cosmética deve atingir US$ 415 bilhões até 2030, avançando a uma taxa anual de 5,2%, impulsionado sobretudo pela popularização de procedimentos minimamente invasivos e pela busca por resultados rápidos, naturais e indolores.
No Brasil, o impacto dessa transformação já é visível. Injetáveis como toxina botulínica e preenchedores respondem por cerca de 45% do segmento. Procedimentos práticos, eficazes e com recuperação rápida refletem a chamada “Era do Invisível”, em que pacientes, incluindo artistas de grande notoriedade, priorizam resultados discretos e a naturalidade da expressão.
Entre os procedimentos em alta estão os polinucleotídeos, conhecidos como “facial de esperma de salmão”, que estimulam colágeno e elastina, principalmente na região dos olhos. O PRP, ou “vampire facial”, utiliza fatores de crescimento do próprio sangue do paciente. Ambos os protocolos têm resultados variados e ainda carecem de padronização científica, mas mostram como inovação e biotecnologia se cruzam na estética médica.
A tecnologia também transforma procedimentos não invasivos. Equipamentos de radiofrequência como Endymed PRO e Morpheus8 são utilizados no tratamento da flacidez, estimulando colágeno em diferentes camadas da pele. O Ultraformer, com ultrassom microfocado, oferece alternativa ao lifting cirúrgico, enquanto o laser fracionado de CO2 permanece referência em rejuvenescimento e cicatrizes. Já o Hydrafacial combina limpeza, hidratação e infusão de ativos, funcionando como etapa complementar em protocolos mais complexos.
A consolidação dessa nova estética não se limita às clínicas de luxo. Consumidores da classe média, cada vez mais informados, também buscam protocolos que unam confiança, acessibilidade e resultados harmônicos. Nesse encontro entre ciência, tecnologia e bem-estar, o mercado de estética projeta um ciclo contínuo de crescimento e se firma como protagonista na redefinição dos padrões de beleza globais.
O equilíbrio entre inovação e responsabilidade é fundamental. O mercado valoriza tecnologias que entregam eficácia sem exageros. Cabe a gestores e consultores garantir que sejam aplicadas com segurança, baseadas em evidências concretas e em conformidade com regulamentações locais. Treinamento e capacitação de profissionais são pilares para sustentar a credibilidade do setor e viabilizar expansão internacional.
Por Claudio Winkler
Especialista em equipamentos médicos com mais de 20 anos de experiência; gerente internacional de vendas em multinacional líder no setor de medicina estética; formação em Administração; MBA em Marketing
Artigo de opinião