Acessibilidade e Inteligência Artificial: Construindo Conselhos Corporativos Verdadeiramente Inclusivos

Como a IA pode ser uma aliada estratégica para ampliar a diversidade e a participação plena nos ambientes de decisão das empresas

Se a acessibilidade é um direito, por que tantos conselhos ainda ignoram vozes que não são plenamente visíveis?

A pergunta é incômoda, mas necessária. Os conselhos, sejam administrativos, consultivos ou deliberativos, concentram decisões que moldam o futuro das empresas e organizações. No entanto, a participação plena de todos os perfis ainda não é uma realidade.

Fala-se muito sobre inclusão, diversidade e acolhimento, mas é fundamental refletir sobre o que esses conceitos realmente significam na prática. Olhando para o futuro, é inevitável questionar: a sua empresa está preparada para investir no potencial humano em sua totalidade?

Dentro dessa discussão, surge um questionamento ainda mais relevante: e se a Inteligência Artificial pudesse contribuir para suprir a ausência de diversidade e acessibilidade nos conselhos? A resposta é sim, é possível e pode ter uma aplicabilidade escalonável e positiva, desde que adotada com responsabilidade e alinhada a princípios éticos.

A acessibilidade não pode ser tratada como uma ação desconectada da missão, valores e princípios das empresas ou estar apenas no escopo de lista de afazeres do RH; precisa estar na base da governança corporativa; misturada ao DNA das companhias — ela inclusive gera novos negócios, melhora a eficiência da companhia e traz mais experiência a todos.

Hoje, a IA já se mostra uma aliada poderosa nesse sentido e ela pode e deve ser Tech for good. Segundo estudo da Randstad, publicado em 2024, 65% das empresas ampliaram seus orçamentos em IA. No campo da diversidade e inclusão, essa tecnologia pode:
• Detectar padrões de exclusão em processos internos;
• Adaptar conteúdos e comunicações para diferentes perfis;
• Facilitar o acesso a informações estratégicas;
• Gerar análises sobre necessidades e expectativas de grupos historicamente sub-representados;
• Impactar positivamente equipes inteiras de trabalho à medida que todos, inclusive os neurodivergentes, sejam compreendidos e incluídos. Isso serve como interface dentro da empresa e especialmente fora, ajudando a trazer uma melhor experiência ao cliente e também a fazer a governança.

Avançar nessa direção requer cautela: a IA deve ser ferramenta de ampliação da participação, não substituição da presença, valor e capital humano. Para isso, é indispensável investir em soluções tecnológicas inclusivas, combater vieses algorítmicos e garantir transparência nas decisões. Por isso, um conselheiro que souber acessibilidade e IA terá um grande diferencial, saberá filtrar dados, oportunidades, pessoas e fazer a gestão deles.

Mais do que seguir normas, trata-se de compreender a jornada real das pessoas. Um conselho verdadeiramente inclusivo é aquele que projeta ambientes — físicos, digitais e culturais — nos quais todos possam participar com segurança, autonomia e confiança.

Negócios atravessam desafios e transformações constantes, mas a essência humana permanece insubstituível. Utilizar a Inteligência Artificial para potencializar a diversidade é investir em decisões mais inteligentes, representativas e conectadas à realidade, nossa capacidade, sem jamais substituir o que só nós podemos oferecer.

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Por Thierry Cintra Marcondes

Especialista em inovação, impacto e acessibilidade, com habilidades comprovadas em futurismo, tendências e associado da Conselheiros TrendsInnovation

Artigo de opinião

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