Câncer de próstata: quando discutir exames com o médico
SBCO destaca que a decisão sobre PSA e toque retal deve considerar idade, histórico familiar e riscos da investigação.
A decisão de investigar o câncer de próstata com exames como PSA e toque retal deve ser individualizada, considerando idade, histórico familiar, condições de saúde e fatores de risco. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), sociedades médicas recomendam discutir os exames, em geral, a partir dos 50 anos para homens com risco habitual; em situações de maior risco, essa conversa pode começar aos 45 ou 40 anos.
O Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA), porém, não recomendam o rastreamento populacional de rotina para homens sem sintomas. De acordo com a SBCO, a posição considera incertezas sobre benefícios e possíveis danos da investigação, como resultados falso-positivos, exames invasivos, identificação de tumores que não causariam problemas ao longo da vida e tratamentos desnecessários.
PSA e toque retal não confirmam diagnóstico isoladamente
O PSA é uma proteína produzida pela próstata e medida em exame de sangue. Sua concentração pode aumentar na presença de câncer, mas também em condições benignas, como hiperplasia prostática benigna e inflamações. Por isso, um resultado elevado não confirma sozinho o diagnóstico.
O toque retal permite ao médico avaliar tamanho, consistência, nódulos ou áreas endurecidas da próstata. Os exames podem ser complementares conforme a avaliação clínica. Quando há suspeita, podem ser solicitados exames adicionais, como ressonância magnética multiparamétrica; a confirmação geralmente depende de biópsia.
Sintomas urinários exigem avaliação, mas não indicam necessariamente câncer
Nas fases iniciais, o câncer de próstata geralmente não causa sintomas. Dificuldade para começar a urinar, jato urinário fraco, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e aumento da frequência urinária podem ocorrer com a evolução da doença, mas são mais frequentemente associados a condições benignas, segundo a entidade.
A SBCO informa que sintomas persistentes ou que se intensificam, assim como sangue na urina, merecem investigação médica. A ausência de sinais também não exclui a doença.
O INCA estima 77.920 novos casos anuais de câncer de próstata no Brasil entre 2026 e 2028, o equivalente a cerca de 233.760 diagnósticos no triênio. A doença é mais frequente após os 50 anos, e histórico familiar, alterações genéticas hereditárias e maior incidência entre homens negros são pontos que devem ser considerados na conversa com o médico.



