Hipertensão resistente e refratária: entenda a diferença

Condições exigem investigação de hábitos, medicação, forma de medir a pressão e possíveis causas secundárias, segundo a SBC.

A hipertensão arterial resistente ocorre quando a pressão permanece acima da meta mesmo com o uso de três classes de medicamentos em doses máximas recomendadas ou toleradas, incluindo um diurético. Já a hipertensão refratária é uma forma ainda mais difícil de controlar: a pressão continua elevada apesar do uso de cinco ou mais classes de anti-hipertensivos.

De acordo com o Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC), a meta varia conforme o perfil e o risco cardiovascular de cada pessoa, mas costuma ser inferior a 130/80 mmHg nas medições feitas no consultório. Identificar a dificuldade de controle ajuda a investigar por que o tratamento não tem o resultado esperado e a reduzir o risco de complicações como AVC, infarto e insuficiência renal.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde citados pelo DHA/SBC, 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024. Desse total, 44% não sabiam que tinham a doença e apenas 23% mantinham a pressão controlada.

O que deve ser investigado antes do diagnóstico

Antes de confirmar a hipertensão resistente, é preciso verificar se os medicamentos estão sendo tomados corretamente, se a aferição da pressão foi feita de maneira adequada e se há efeito do avental branco, quando a pressão aumenta durante a consulta, explica Rodrigo Pedrosa, médico cardiologista e diretor do DHA/SBC.

Segundo o especialista, a avaliação também deve considerar hábitos de vida, outros medicamentos que possam elevar a pressão e doenças que contribuam para o quadro. A pressão alta persistente pode estar relacionada ao uso irregular dos remédios, a medidas incorretas ou à ansiedade na consulta, e não necessariamente à resistência ao tratamento.

Causas secundárias podem dificultar o controle

O DHA/SBC recomenda investigar a hipertensão arterial secundária, provocada por outra condição clínica. Doenças renais, alterações hormonais e apneia obstrutiva do sono estão entre as possibilidades citadas.

Pedrosa afirma que a apneia do sono está presente em até dois terços dos pacientes com hipertensão resistente e pode contribuir para a manutenção e o agravamento da pressão elevada. Quando identificadas e tratadas, essas causas secundárias podem ajudar no controle da pressão.

O especialista orienta que a pessoa não interrompa nem altere os medicamentos por conta própria. Caso os níveis permaneçam elevados, o acompanhamento médico é necessário para identificar a causa e ajustar o tratamento.

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