Custo do hidrogênio verde sobe 26,9% no Brasil, diz CELA
Estudo de 2026 atribui quase 80% da alta à energia elétrica; custo médio passou de US$ 5,19 para US$ 6,58 por quilo.
O custo médio de produção do hidrogênio verde no Brasil subiu 26,9% em 12 meses, de US$ 5,19 para US$ 6,58 por quilo em 2026, segundo o Índice LCOX Brasil, elaborado pela consultoria Clean Energy Latin America (CELA). De acordo com o levantamento, a energia elétrica foi o principal fator de pressão sobre os preços.
A faixa estimada para produzir hidrogênio verde no país vai de US$ 3,79 a US$ 9,37 por quilo, a depender da localização, da tecnologia adotada, da contratação de energia e da estrutura de investimentos de cada projeto. Na edição de 2025, os valores variavam entre US$ 2,94 e US$ 7,44 por quilo.
Segundo a CELA, quase 80% da elevação do custo está ligada à energia elétrica, especialmente aos preços de contratos de longo prazo, conhecidos como PPAs, e às condições de modulação do fornecimento. O restante decorre de condições de financiamento, ambiente macroeconômico e, em menor proporção, equipamentos e investimentos.
Diferenças entre tecnologias de eletrólise
Nos projetos com eletrolisadores alcalinos (ALK), o custo estimado do hidrogênio verde varia de US$ 3,79 a US$ 8,87 por quilo. Nos sistemas de membrana polimérica (PEM), a faixa vai de US$ 4,43 a US$ 9,37 por quilo, conforme o estudo.
A amônia verde, derivada do hidrogênio e utilizada principalmente na produção de fertilizantes, também registrou aumento. O custo médio passou de US$ 1.114 para US$ 1.368 por tonelada, alta de 22,7%. A faixa de produção avançou de US$ 648 a US$ 1.580 por tonelada em 2025 para US$ 787 a US$ 1.948 em 2026.
Para a amônia verde, os custos ficam entre US$ 787 e US$ 1.845 por tonelada em sistemas alcalinos e entre US$ 944 e US$ 1.948 por tonelada em projetos com tecnologia PEM, segundo a CELA.
Estudo reuniu mais de 2 mil simulações
O Índice LCOX Brasil 2026 foi desenvolvido com um modelo financeiro que reuniu mais de 2 mil simulações de custos de equipamentos, fontes de energia, localização dos empreendimentos e condições de mercado. A metodologia usou informações de fabricantes, empresas de operação e manutenção e referências de mercado, com dados atualizados até setembro de 2026.
A análise considera as tecnologias ALK e PEM, além de particularidades brasileiras de contratação de energia e tributação. A CELA afirma que a disponibilidade de fontes renováveis mantém o país em condições favoráveis para desenvolver a indústria de hidrogênio verde, mas aponta a contratação de energia e o financiamento como fatores decisivos para a viabilidade dos projetos.
O levantamento integra o CELA Research – Módulo H2V, plataforma de inteligência de mercado da consultoria.



