Glúten: por que não cortar antes de investigar sintomas
Médicos explicam diferenças entre alergia ao trigo, doença celíaca e desconfortos digestivos, além de alertas para reações graves.
Retirar o glúten por conta própria diante de inchaço ou desconforto digestivo pode restringir a alimentação sem necessidade e, em caso de suspeita de doença celíaca, prejudicar a interpretação de determinados exames. As orientações são da médica Brianna Nicoletti, com atuação em alergia e imunologia, e do médico Michel Fernandes, com atuação em gastroenterologia, divulgadas para o Dia do Trigo, em 10 de novembro.
Segundo os especialistas, alergia ao trigo, doença celíaca e sintomas digestivos não são situações equivalentes e exigem investigação e condutas diferentes. O glúten é um conjunto de proteínas presente no trigo, na cevada e no centeio; sua exclusão é necessária em condições específicas, como a doença celíaca, mas não é uma recomendação universal.
Alergia ao trigo e doença celíaca têm mecanismos diferentes
De acordo com o material, a alergia ao trigo envolve uma resposta imunológica às proteínas do cereal e pode causar manifestações na pele, no sistema digestivo ou no respiratório. Já a doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas.
Quando há suspeita de doença celíaca, o glúten não deve ser retirado antes da investigação profissional, pois isso pode interferir em resultados de exames. A avaliação considera sintomas, histórico familiar e a necessidade de testes específicos.
Inchaço pode ter outras causas
Estufamento, dor abdominal e sensação de digestão lenta podem estar ligados a hábitos alimentares, constipação, síndrome do intestino irritável e outras condições gastrointestinais, segundo os médicos. Por isso, atribuir automaticamente o sintoma ao pão ou ao macarrão pode não identificar sua causa.
Michel Fernandes afirma que refeições volumosas, especialmente quando consumidas rapidamente ou perto da hora de dormir, podem aumentar o desconforto e favorecer episódios de refluxo. Para ele, quantidade ingerida, composição da refeição e recorrência dos sintomas ajudam a orientar a avaliação.
O médico também alerta que estresse não deve ser automaticamente considerado a causa de gastrite. “Ele pode agravar sintomas e interferir no funcionamento do sistema digestivo, mas existem doenças que precisam ser investigadas”, ressalta.
Sinais de emergência em reações alérgicas
Uma reação alérgica alimentar pode ir de manifestações leves à anafilaxia, situação que exige atendimento de emergência. Dificuldade para respirar, inchaço na garganta e alterações da consciência são sinais de alerta, independentemente do alimento envolvido.
Brianna Nicoletti destaca que algumas reações podem evoluir rapidamente e comprometer diferentes sistemas do organismo. A médica cita dificuldade respiratória, inchaço na garganta, prostração intensa e alterações de consciência como situações que exigem atendimento imediato.
Os especialistas também ressaltam que dietas restritivas sem diagnóstico podem dificultar o planejamento nutricional e não resolver a causa dos sintomas. Em caso de sintomas persistentes ou suspeita de alergia, a orientação é buscar avaliação profissional para definir quais restrições são necessárias.



