Videogames na infância: como equilibrar jogos e rotina

Neurologista orienta observar sono, estudos, atividade física e convivência; conteúdo e adequação etária também importam.

Videogames podem estimular atenção, memória, raciocínio e resolução de problemas na infância, mas devem estar inseridos em uma rotina que preserve sono, estudos, atividade física e convivência presencial. A orientação é da neurologista Francine Mendonça, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo.

Segundo a especialista, os possíveis benefícios dependem do tipo de jogo, da faixa etária e da forma como a atividade é utilizada. Jogos de estratégia, quebra-cabeças e atividades que exigem planejamento podem trabalhar memória, organização de ações e resolução de problemas. Já os que demandam respostas rápidas e orientação espacial podem envolver atenção visual, velocidade de processamento e coordenação entre percepção e resposta motora.

“O videogame pode ser uma atividade de estímulo cognitivo” quando a criança toma decisões, cria estratégias, soluciona problemas, memoriza informações ou responde a estímulos, afirma Mendonça. Ela ressalta, porém, que os jogos não substituem brincar livremente, praticar atividades físicas, ler, conviver e manter interações presenciais.

O que observar na rotina da criança

Mais do que estabelecer uma quantidade rígida de horas, o material recomenda avaliar os efeitos das telas no dia a dia. A Academia Americana de Pediatria, segundo o release, reforçou em 2026 a importância de reservar períodos sem telas para dormir, movimentar-se, estudar, brincar, ler e conviver em família, além de evitar dispositivos nas refeições, no quarto e antes de dormir.

O Guia do Governo Federal sobre dispositivos digitais, atualizado em julho de 2026 de acordo com o material, também aponta oportunidades de entretenimento, educação e desenvolvimento, mas associa o uso excessivo ou inadequado a riscos para a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Para Mendonça, um sinal de alerta surge quando o videogame passa a ocupar o espaço de outras atividades. Dificuldade persistente para interromper o jogo, irritabilidade intensa diante de limites, abandono de interesses anteriores, queda no desempenho escolar, mudanças importantes no sono e afastamento familiar ou social são comportamentos que merecem atenção.

Mediação e escolha dos jogos

Entre as estratégias apontadas estão definir horários, escolher jogos adequados à faixa etária, usar a classificação indicativa e participar da experiência digital da criança. A neurologista defende que o objetivo não é eliminar a tecnologia, mas ajudar a construir um uso consciente e equilibrado.

O release cita dados da TIC Kids Online Brasil segundo os quais 95% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos estavam conectados à internet em 2023, o equivalente a 25,5 milhões de usuários. Desse grupo, 24% tiveram o primeiro acesso até os seis anos e 63% até os dez anos.

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