Falar mais alto ajuda quem tem perda auditiva?

Fonoaudióloga explica por que gritar pode não melhorar a compreensão e indica ajustes para conversas mais acessíveis.

Falar mais alto nem sempre ajuda uma pessoa com perda auditiva a compreender uma conversa. Segundo a fonoaudióloga Andréa Paz, PhD em Fonoaudiologia, aumentar o volume da voz não recupera necessariamente sons da fala que chegam com menos informações ao sistema auditivo.

O tema ganha atenção no Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, celebrado em 10 de novembro. A especialista explica que perda auditiva não significa apenas ouvir tudo mais baixo: dependendo do tipo e do grau da alteração, a pessoa pode ouvir que alguém está falando, mas ter dificuldade para diferenciar palavras e entender frases.

Volume e clareza não são a mesma coisa

Em alterações que comprometem a percepção de frequências mais agudas, por exemplo, podem surgir dificuldades para identificar consoantes e distinguir palavras com sons próximos. A situação tende a ficar mais evidente diante de televisão ligada, conversas simultâneas ou em locais ruidosos, como restaurantes.

Gritar também pode modificar as características naturais da fala e tornar a interação desconfortável. “Volume e clareza não são a mesma coisa. Quando gritamos, podemos tornar a comunicação desconfortável sem necessariamente melhorar a informação que chega à pessoa”, afirma Andréa Paz.

De acordo com a fonoaudióloga, a dificuldade auditiva pode gerar constrangimento quando a pessoa pede repetição e recebe uma resposta em tom elevado. Isso pode favorecer o afastamento de conversas familiares, sociais ou profissionais.

Ajustes que podem facilitar a conversa

A especialista recomenda falar de frente e manter o rosto visível, para que a pessoa possa usar expressões faciais e pistas visuais como apoio. Também orienta usar uma intensidade confortável, falar com clareza e em ritmo natural, sem exagerar os movimentos da boca.

Reduzir sons concorrentes, como televisão e conversas paralelas, é outra medida indicada. Quando uma frase não for compreendida, a sugestão é reformular a explicação em vez de apenas repeti-la cada vez mais alto. Andréa Paz também destaca a importância de perguntar qual estratégia de comunicação facilita a interação para cada pessoa, que pode utilizar aparelhos auditivos, implante coclear ou Libras.

Sinais que merecem avaliação

Pedir repetições com frequência, aumentar progressivamente o volume da televisão, ter dificuldade para compreender conversas ao telefone ou em ambientes ruidosos e evitar encontros pelo esforço para acompanhar diálogos são sinais que, segundo a fonte, não devem ser naturalizados.

Ao perceber alterações na audição, a orientação é buscar avaliação especializada, que pode envolver consulta otorrinolaringológica e exames como a audiometria. A fonoaudióloga ressalta que perda repentina da audição, especialmente em uma das orelhas, exige avaliação médica imediata.

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