Próstata aumentada não é câncer, mas sintomas exigem avaliação

Hiperplasia prostática benigna pode causar alterações urinárias semelhantes às do câncer; diagnóstico depende de avaliação clínica.

A próstata aumentada, condição chamada hiperplasia prostática benigna (HPB), não é câncer e não se transforma necessariamente em tumor maligno. Ainda assim, como pode provocar sintomas urinários parecidos com os da doença oncológica, a diferenciação requer avaliação médica, segundo Caio Cesar Cintra, urologista dos Hospitais São Camilo de São Paulo.

De acordo com estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) citada pelos hospitais, o Brasil deve registrar 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028. O câncer representa 30,5% dos casos entre homens, excluídos os tumores de pele não melanoma.

Como a próstata aumentada afeta a urina

A próstata fica abaixo da bexiga e envolve parte da uretra, canal por onde passa a urina. Com o envelhecimento, a glândula pode aumentar e comprimir a uretra. Entre os sinais mais comuns da HPB estão urinar várias vezes durante o dia ou à noite, jato urinário fraco, dificuldade para iniciar a micção e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.

Já o câncer de próstata ocorre quando células da glândula desenvolvem alterações malignas. Em fases iniciais, pode não causar sintomas. Quando há manifestações urinárias, elas podem se assemelhar às da HPB e, segundo o urologista, no câncer normalmente indicam doença localmente avançada.

Sintomas e exame isolado não definem o diagnóstico

“Os sintomas urinários, sozinhos, não permitem diferenciar uma próstata aumentada de um câncer”, afirma Cintra. Ele também ressalta que a ausência de sintomas não garante que não haja doença.

A investigação considera avaliação clínica, histórico de saúde, exame físico e exames complementares, como a dosagem do antígeno prostático específico, conforme indicação médica. O resultado desse exame, isoladamente, não confirma nem descarta câncer, pois seus níveis também podem se alterar em condições benignas.

A oncologista Erika Simplício, também dos Hospitais São Camilo de São Paulo, aponta a idade como um dos principais fatores de risco. Ter pai ou irmão diagnosticado, especialmente antes dos 60 anos, também merece atenção, embora a doença possa ocorrer sem histórico familiar conhecido.

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