Incontinência urinária e fecal: sintomas e cuidados
Especialistas de hospitais de Curitiba explicam diferenças entre os tipos, fatores que agravam perdas e opções de tratamento.
Perdas de urina ao tossir ou fazer esforço, urgência para chegar ao banheiro e dificuldade para controlar gases ou fezes são sintomas distintos de incontinência que devem ser avaliados. Especialistas dos hospitais Universitário Cajuru e São Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), afirmam que esses quadros não devem ser considerados consequências inevitáveis do envelhecimento.
Segundo o urologista Bruno Pimpão, na incontinência urinária de esforço a perda pode ocorrer ao tossir, espirrar, rir, correr ou levantar peso, geralmente sem vontade de urinar naquele momento. Há também casos de urgência súbita para urinar e de esvaziamento incompleto da bexiga, que pode provocar gotejamento e perdas frequentes.
A incontinência fecal pode envolver dificuldade de controlar gases ou perda involuntária de fezes líquidas ou formadas. De acordo com o coloproctologista Paulo Kotze, possíveis causas incluem lesões ou enfraquecimento dos músculos que controlam a saída das fezes, alterações neurológicas, diarreia crônica e constipação persistente.
Hábitos podem influenciar os sintomas
O consumo excessivo de cafeína pode aumentar a urgência e a frequência das idas ao banheiro, conforme os especialistas. Constipação, esforço frequente para evacuar e excesso de peso também podem agravar sintomas urinários.
A fisioterapeuta Clarice Neves alerta que tanto o excesso quanto a restrição exagerada de líquidos podem contribuir para sintomas urinários. Ela orienta buscar acompanhamento profissional antes de alterar a ingestão de água.
Tratamento depende da avaliação
As alternativas variam conforme a causa e a gravidade do quadro. Podem incluir ajustes na alimentação, medicamentos, fisioterapia pélvica, treinamento vesical, estomaterapia e procedimentos especializados. A fisioterapia pélvica trabalha força, resistência e coordenação dos músculos do assoalho pélvico, segundo Clarice Neves.
Absorventes e fraldas ajudam na proteção, mas não tratam a causa da incontinência. A estomaterapeuta Cintia Schuersovski recomenda que a escolha considere intensidade das perdas, mobilidade, rotina e ajuste do produto, pois itens apertados podem causar atrito e os largos demais favorecem vazamentos.
O contato prolongado com urina e fezes pode comprometer a barreira da pele e provocar vermelhidão, ardência, dor e irritação. Os especialistas orientam higiene suave, secagem cuidadosa, troca de produtos úmidos ou sujos e atenção diária à pele. Vergonha e medo de cirurgia também podem atrasar a procura por atendimento, embora, segundo Pimpão, grande parte dos tratamentos seja conservadora.



