Fim da escala 6×1 prevê duas folgas semanais a partir de dezembro
Emenda Constitucional nº 141 reduz a jornada máxima para 42 horas em 2026 e 40 em 2027, sem redução salarial.
O fim da escala 6×1 alcançará cerca de 14,7 milhões de empregados com carteira assinada que trabalhavam nesse regime em dezembro de 2025, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego divulgados em outubro de 2026. A Emenda Constitucional nº 141 prevê duas folgas semanais a partir de dezembro e reduz gradualmente a jornada máxima, sem redução salarial.
Promulgada em 16 de outubro, a emenda determina a redução da carga máxima de 44 para 42 horas semanais em dezembro de 2026. Em dezembro de 2027, o limite passará a ser de 40 horas semanais.
Como trabalhadores dizem que usariam o tempo livre
Uma pesquisa nacional do Instituto DataSenado, realizada entre março e abril de 2024 com pessoas que exerciam atividade remunerada, perguntou como elas utilizariam mais tempo livre caso a jornada fosse reduzida. Para 40%, a prioridade seria passar mais tempo com a família; para 17%, cuidar da saúde; para 16%, buscar capacitação; para 8%, praticar atividade física; e para 6%, investir em lazer.
O levantamento registra intenções declaradas e não o comportamento efetivo que ocorrerá após a nova regra. Os dados indicam que a folga adicional pode ter usos diversos, entre convivência familiar, descanso, estudos, cuidados pessoais e esporte.
Empresas podem rever iniciativas de bem-estar
Para Guilherme Rossi, CEO e cofundador da MeshMe/Corporate Games Brasil, empresas precisarão considerar as diferentes rotinas e preferências das equipes antes de estruturar ações de bem-estar. “Com dois dias de folga, as pessoas terão mais possibilidades de organizar a semana. Cabe às empresas oferecer oportunidades reais de convivência e esporte que façam sentido para diferentes perfis e horários, em vez de repetir atividades sem saber quem consegue participar”, afirma.
Segundo Rossi, a adaptação envolve especialmente setores presenciais e equipes distribuídas por turnos, como comércio e serviços. A fonte cita encontros em horários variados, atividades para diferentes níveis de condicionamento e opções que não dependam da presença em um único dia da semana como formatos que podem ampliar o acesso.
Na avaliação do executivo, a mudança na jornada não cria sozinha uma cultura corporativa mais saudável. Para os departamentos de recursos humanos, a participação das equipes, os turnos que ficam de fora e o interesse pelas atividades podem servir de referência para avaliar programas de convivência e esporte.



