Estudo aponta que 80,7% dos relatos surgem antes da consulta
Levantamento da Macfor analisou menções públicas sobre doenças crônicas e respostas de ChatGPT e Gemini a perguntas de saúde.
Relatos de pacientes sobre doenças crônicas nas redes sociais se concentram antes da consulta médica: 80,7% das menções classificadas como experiência do paciente tratavam de sintomas, possíveis causas e do momento de procurar atendimento. O dado é do estudo “Saúde & influênc.IA”, desenvolvido pela agência de marketing Macfor.
Segundo o levantamento, 12,6% dos relatos estavam ligados à compreensão ou validação de uma hipótese diagnóstica. Essa foi a etapa com maior proporção de sentimento negativo, identificada em 18% das menções. Outros 6,7% se relacionavam a tratamento e acompanhamento, com 17% de sentimento negativo; antes da consulta, o índice foi de 14,7%.
Dúvidas sobre sintomas predominam antes do atendimento
Quatro das cinco perguntas mais recorrentes nos relatos de pacientes apareceram principalmente antes da consulta. Elas envolviam saber se os sintomas eram normais, quais poderiam ser suas causas, como aliviá-los e quando procurar um médico. Medo ou ansiedade foi o marcador de vulnerabilidade mais frequente, presente em 8,7% das menções classificadas.
“Os relatos diminuem quando a dúvida se torna mais complexa. A menor presença da fase de compreensão do diagnóstico na conversa pública não permite concluir que as questões foram resolvidas”, afirma Fabrício Macias, cofundador e VP de Marketing da Macfor.
Na amostra total, 81,7% das menções tinham características de conteúdo institucional ou informativo, enquanto 18,3% apresentavam marcadores de experiência do paciente. A classificação considerou o conteúdo da mensagem, e não o perfil responsável pela publicação.
Análise comparou respostas de ChatGPT e Gemini
A pesquisa também examinou 1.080 respostas geradas por ChatGPT e Gemini a 540 perguntas enviadas separadamente às duas ferramentas. O ChatGPT apresentou algum alerta ou orientação para procurar atendimento em 71,1% das respostas, ante 60,4% no Gemini. Já referências explícitas foram identificadas em 53,9% das respostas do Gemini e em 0,7% das respostas do ChatGPT.
Na frente de redes sociais, foram reunidas 28.516 menções públicas entre 20 de julho e 19 de agosto de 2026, em Instagram, Facebook, Bluesky, LinkedIn e Reddit, sobre condições como diabetes, hipertensão, fibromialgia, asma, enxaqueca, obesidade, endometriose e lúpus. O estudo é descritivo e exploratório: não avaliou a acurácia clínica das respostas de IA, não acompanhou pacientes reais usando essas ferramentas e não estabelece relação causal entre as conversas públicas e os conteúdos produzidos pelos modelos.



