Estudar mais no fim do ano não basta, diz especialista
Segundo Patrícia Lessa, do Supera, atenção, revisão em dias distintos e desafios adequados influenciam a aprendizagem.
Estudar por mais horas na reta final do ano letivo não garante, por si só, mais aprendizagem. Segundo Patrícia Lessa, diretora pedagógica do Supera, a atenção, a compreensão e a capacidade de aplicar o conteúdo têm mais peso do que o tempo acumulado diante dos livros.
Para a especialista, aprender envolve prestar atenção, entender o significado e a relevância da informação, organizá-la e conseguir usá-la fora do contexto em que foi estudada. Ela afirma que a distração pode comprometer esse processo: um estudante pode passar horas com o material aberto, mas não reter o conteúdo se a atenção não se sustentar.
Atenção e memória de trabalho no estudo
Patrícia Lessa explica que conhecer uma fórmula, por exemplo, não significa necessariamente conseguir aplicá-la em um problema novo. Nessa etapa, entram habilidades como memória de trabalho, atenção seletiva e sustentada, memória de longo prazo, raciocínio lógico e funções executivas, entre elas planejamento, controle inibitório e flexibilidade cognitiva.
Segundo ela, a dificuldade também precisa ser adequada ao nível de desenvolvimento do estudante. Desafios na medida podem permitir tentativas, erros, ajustes e acertos; já tarefas excessivamente difíceis e sem apoio podem prejudicar a atenção e a memória de trabalho, de acordo com a especialista.
Revisar em dias e formatos diferentes
Para as semanas de provas finais e recuperações, a diretora pedagógica sugere evitar concentrar toda a revisão na véspera. A proposta é revisitar o mesmo conceito em dias distintos e alternar as formas de contato com o conteúdo.
Ela também destaca a metacognição, definida como a capacidade de entender como se aprende e quais estratégias funcionam para cada pessoa. Na prática, isso envolve o estudante avaliar seu modo de estudar, selecionar abordagens que dão mais resultado e incorporá-las às atividades futuras.
As recomendações são apresentadas por Patrícia Lessa como formas de priorizar a qualidade do processamento da informação, em vez de apenas ampliar a quantidade de horas de estudo.



