Só 5,2% dos CEOs das maiores empresas brasileiras são mulheres
Levantamentos citados pela fonte apontam desaceleração no avanço feminino na alta gestão e baixa representação em conselhos.
A presença de mulheres diminui à medida que os cargos corporativos se aproximam do topo. Segundo o estudo Women at the Top 2026, do Evermonte Institute, mulheres ocupam 5,2% das presidências das maiores empresas brasileiras.
O contraste aparece mesmo com o aumento da participação feminina em posições gerais de liderança. De acordo com o estudo The State of Women in Leadership, do LinkedIn, o Brasil chegou a 32,2% de participação feminina nesses cargos. Nas posições de vice-presidência e superiores, porém, a participação cresceu, em média, 0,4% ao ano entre 2015 e 2022; de 2022 a 2025, o avanço acumulado foi de 0,3%, segundo o levantamento.
Desigualdade também aparece em diretorias e conselhos
Levantamento da consultoria Evermonte, que analisou 1.976 executivos em diretorias e cargos C-level no Brasil, aponta que homens ocupam 85,4% das posições de alta liderança avaliadas, enquanto mulheres representam 14,4%. C-level reúne os principais executivos de uma empresa.
Nos conselhos de administração, o relatório Global Trends in Women’s Corporate Leadership 2026, da ISS-Corporate, colocou o Brasil na penúltima posição entre 28 mercados analisados, com média de 1,4 mulher por conselho. Esses órgãos participam de decisões estratégicas, da fiscalização da administração e da sucessão de executivos.
Trajetórias até a presidência
Entre as pessoas que chegaram à presidência, o estudo do Evermonte Institute registrou média de 2,79 MBAs e pós-graduações para as mulheres, ante 1,43 para os homens. Elas passaram, em média, por 5,12 empresas ao longo da carreira, contra 3,79 entre eles. O tempo médio até a presidência foi semelhante: 18,32 anos para elas e 18,49 para eles.
Para Amanda Gomes, CEO do Instituto Geração Soul, programas de desenvolvimento não bastam para ampliar a presença feminina no topo. Ela defende o mapeamento de profissionais aptas, a inclusão delas em processos sucessórios e iniciativas de sponsorship, modelo no qual lideranças usam sua influência para dar visibilidade e abrir oportunidades.
O levantamento do LinkedIn também indicou que, em 2025, mulheres representaram pouco menos de 33% das novas contratações para posições de liderança nos países analisados, quase um ponto percentual abaixo do ano anterior, além de desaceleração na progressão para a alta gestão desde 2023.



