Psoríase grave: tratamentos mudaram nos últimos 20 anos

Sociedade Brasileira de Dermatologia explica opções como imunobiológicos e pequenas moléculas, além de limitações de acesso e uso.

A psoríase pode afetar pele, unhas e articulações, e os tratamentos para as formas mais graves da doença se transformaram nos últimos 20 anos, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Entre as opções mais recentes estão os imunobiológicos e as chamadas pequenas moléculas, cuja indicação deve ser definida entre médico e paciente.

De acordo com a SBD, a doença pode causar manchas vermelhas com escamas secas esbranquiçadas ou prateadas, pele ressecada e rachada, coceira, queimação e dor. Nas unhas, pode haver espessamento, descolamento, coloração amarelada, sulcos e depressões. Quando há comprometimento das articulações, podem ocorrer inchaço, dor e rigidez; nos casos mais graves, há risco de destruição articular e deformidades.

Opções para os casos mais graves

O dermatologista Ricardo Romiti, da SBD, afirma que a mudança foi especialmente importante para pessoas com lesões em mais de 10% da superfície corporal ou em áreas consideradas especiais, como couro cabeludo, unhas e regiões genitais. No passado, fototerapia e medicamentos imunossupressores estavam entre as alternativas usadas nos quadros graves, embora pudessem trazer preocupações com efeitos colaterais, como infecções e comprometimento de órgãos como o fígado.

Segundo o especialista, os imunobiológicos são administrados por via subcutânea ou endovenosa e bloqueiam especificamente a cascata inflamatória da psoríase. Muitos deles também podem melhorar a inflamação articular associada à doença, conhecida como artrite psoriásica.

Esses medicamentos, porém, exigem refrigeração, o que pode dificultar o acesso em regiões mais distantes do Brasil. As aplicações também podem ser um obstáculo para quem tem medo de agulhas, e a frequência varia conforme o medicamento, podendo chegar a aplicações semanais. Romiti ressalta que cada classe tem um perfil específico de segurança, com possíveis riscos relacionados a determinadas infecções e outras alterações.

Pequenas moléculas e acesso aos tratamentos

As pequenas moléculas têm estrutura menos complexa que os imunobiológicos e podem ser administradas por via oral. Há ainda, fora do Brasil, opções em creme e pomada que, segundo Romiti, devem chegar ao mercado brasileiro. Elas não exigem refrigeração e podem ser mais fáceis de manusear, mas em alguns casos podem ter eficácia menor do que os imunobiológicos e requerem uso diário.

O médico afirma que não há uma opção única de primeira linha entre biológicos e pequenas moléculas: a escolha deve considerar os critérios clínicos e ser feita de comum acordo com a pessoa atendida. O custo também pesa nessa decisão. Os biológicos costumam custar mais, embora a chegada de biossimilares tenha contribuído para reduzir valores, segundo o especialista.

No Sistema Único de Saúde (SUS), estão disponíveis tratamentos convencionais e uma série de imunobiológicos para psoríase, de acordo com Romiti. As pequenas moléculas ainda não estão disponíveis para a doença na rede pública; no sistema privado, os biológicos normalmente têm aprovação quando corretamente indicados e, em alguns casos, as pequenas moléculas também podem ser liberadas.

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