Por que o mesmo grau pode levar a lentes oculares diferentes

Exames, condições do olho e atividades cotidianas influenciam o planejamento de cirurgias de catarata e do cristalino.

Pessoas com idade e grau ocular semelhantes podem receber indicações diferentes de lentes intraoculares porque o planejamento cirúrgico considera medidas do olho, possíveis alterações oculares e necessidades visuais individuais. A avaliação é feita antes de procedimentos para catarata e, em pacientes selecionados, para a troca do cristalino disfuncional associada à presbiopia.

Segundo o oftalmologista Arthur van den Berg, o grau é apenas uma das informações do planejamento. Na cirurgia do cristalino, a lente natural é removida e substituída por uma lente intraocular artificial; como o implante permanece no olho, é preciso calcular sua potência e avaliar o modelo mais compatível com cada caso.

Quais exames entram no planejamento

A biometria fornece medidas usadas no cálculo da potência da lente e está entre as avaliações recomendadas antes da cirurgia de catarata. Quando há astigmatismo, as recomendações da European Society of Cataract and Refractive Surgeons incluem medições adicionais por topografia ou tomografia da córnea.

De acordo com van den Berg, a avaliação também pode considerar superfície ocular, retina, qualidade óptica e expectativas sobre reduzir o uso de óculos, conforme o tipo de lente em análise. Ele ressalta que os exames não definem isoladamente a solução para cada paciente.

Um estudo multicêntrico publicado em março de 2026 na Clinical Ophthalmology avaliou 246 olhos submetidos à cirurgia de catarata e comparou três métodos de cálculo da potência de lentes intraoculares. Em uma análise, o cálculo baseado em inteligência artificial colocou 82% dos olhos em uma diferença de até 0,5 dioptria do resultado previsto, ante 76% com a fórmula Barrett Universal II; o desempenho foi semelhante ao da fórmula Kane nos parâmetros avaliados. Os autores apontaram como limitações o caráter retrospectivo da pesquisa e o uso de um único modelo de lente.

Rotina e expectativas também pesam

Segundo o especialista, atividades cotidianas podem alterar as prioridades no planejamento. Quem passa muitas horas diante do computador pode valorizar mais a visão intermediária, enquanto quem dirige frequentemente à noite pode ter outras necessidades ligadas à qualidade visual em baixa iluminação.

Leitura, telas, visão à distância e direção exigem faixas visuais diferentes. Características da córnea, presença e tipo de astigmatismo, condições da retina e da superfície ocular também podem favorecer ou limitar opções. “Não existe uma lente universal”, afirma van den Berg.

Dados da Organização Mundial da Saúde, em atualização publicada em fevereiro de 2026, indicam que pelo menos 2,2 bilhões de pessoas têm comprometimento da visão de perto ou de longe no mundo. A entidade estima 94 milhões de casos de deficiência visual ou cegueira associada à catarata e 826 milhões de pessoas com alterações de perto relacionadas à presbiopia.

👁️ 37 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar