Quando a tristeza pós-eleitoral exige atenção à saúde mental
Segundo o psiquiatra Carlos Cais, o principal critério clínico é o prejuízo nas relações, no trabalho ou nos estudos.
A tristeza após um resultado eleitoral adverso pode ser uma reação humana natural, mas requer atenção clínica quando passa a comprometer o bem-estar e a funcionalidade da pessoa. A avaliação, segundo o psiquiatra Carlos Cais, sócio-fundador e conselheiro sênior da Elibrè, deve ocorrer sem juízo de valor moral ou partidário.
O especialista chama essa reação de “luto pós-eleitoral”, associado ao sentimento de perda e frustração diante do resultado das urnas. De acordo com Cais, a resposta emocional pode variar conforme o grau de identificação com as propostas e candidaturas em disputa. Pessoas com quadros prévios de ansiedade ou depressão tendem a estar mais suscetíveis, afirma.
O que diferencia tristeza e sofrimento patológico
Para Cais, a diferença não é definida pelo tempo de duração, mas pela intensidade do sofrimento e pela disfuncionalidade causada. O quadro pode demandar intervenção médica ou terapêutica quando há prejuízos acentuados na esfera afetiva, laboral ou acadêmica e social.
“Se a pessoa perde a capacidade de trabalhar, isola-se de entes queridos, entra em conflitos destrutivos por divergências ou perde a esperança no futuro, ultrapassamos a fronteira da tristeza saudável e entramos no campo do sofrimento patológico”, explica o psiquiatra.
As fases do luto não seguem ordem fixa
O luto é um processo psíquico diante de uma perda significativa ou do rompimento de uma expectativa. As etapas descritas pela psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross — como negação, raiva, barganha, depressão e aceitação — não precisam ocorrer em sequência, segundo a abordagem contemporânea citada por Cais: elas podem se sobrepor, avançar ou regredir conforme cada pessoa.
Quando os sinais de sofrimento persistem ou a estrutura psíquica se mostra fragilizada, o acompanhamento psiquiátrico e a psicoterapia podem ajudar na reorganização emocional, afirma o especialista.



