Obesidade infantil: quando investigar causas hormonais

Segundo médica da rede pública de São Paulo, velocidade de crescimento em altura ajuda a indicar quando uma avaliação específica pode ser necessária.

A obesidade infantil não deve ser associada automaticamente ao excesso de comida. Segundo a médica de família e comunidade Aline Magalhães, da UBS Jardim Santa Margarida, em São Paulo, o ganho de peso resulta da interação entre fatores biológicos, comportamentais, ambientais e sociais — e a avaliação deve considerar a trajetória de crescimento da criança.

De acordo com diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), citadas no material, causas endócrinas primárias, como hipotireoidismo e síndrome de Cushing, e síndromes genéticas raras respondem por menos de 5% dos diagnósticos. Na maior parte dos casos, há interação entre predisposição genética comum e ambiente.

Crescimento em altura é um sinal clínico importante

Para diferenciar o ganho de peso mais frequente de situações que podem exigir investigação específica, não basta observar o número na balança. Conforme Aline Magalhães, a velocidade de crescimento em altura ao longo do tempo é um dos principais indicadores clínicos.

Na obesidade multifatorial, a criança costuma manter ou até acelerar o crescimento linear, com estatura adequada ou acima da média para a idade. Já a interrupção do ganho de altura ou a baixa estatura associada ao ganho de peso rápido são sinais de alerta para investigar possíveis causas endócrinas ou genéticas.

A médica afirma que não há indicação de painéis hormonais de rotina para todas as crianças com excesso de peso. Os exames devem seguir critérios clínicos, seja para rastrear repercussões metabólicas, como alterações na glicemia ou no perfil de lipídios, seja para apurar hipóteses levantadas na consulta.

Abordagem deve evitar estigma e restrições rígidas

O sono, a exposição a telas, o acesso a alimentos in natura, as oportunidades de brincar ao ar livre e a rotina familiar também fazem parte da avaliação, segundo o material. Aspectos emocionais e sociais merecem atenção: o estigma relacionado ao peso no ambiente escolar e familiar pode afetar o bem-estar e a autoestima da criança.

O acompanhamento profissional, afirma a especialista, deve priorizar hábitos protetores para toda a família, como refeições com melhor padrão, brincar ativo e higiene do sono, sem dietas restritivas ou metas rígidas de peso. Mudanças aceleradas no ganho de peso ou alterações no crescimento são motivos para buscar avaliação em uma Unidade Básica de Saúde.

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