Como tendências em joias são adaptadas ao mercado brasileiro

Conforto, acabamento, possibilidades de uso e preço orientam a seleção de referências internacionais, segundo a joalheira Débora De Landa.

Tendências em joias precisam ser avaliadas além do impacto visual para chegar ao mercado brasileiro, segundo Débora De Landa, fundadora da Joias Kether. Para a empresária, conforto, acabamento, possibilidades de uso e preço são critérios que ajudam a definir se uma referência internacional pode entrar na seleção de uma joalheria.

O tema ganha relevância em um cenário de alta no custo do ouro. De acordo com o World Gold Council, o consumo mundial de joias de ouro caiu 17% em volume no segundo trimestre de 2026, na comparação anual. Já o valor gasto cresceu 14%, para US$ 40 bilhões, sob influência dos preços elevados do metal.

O que observar antes de incorporar uma tendência

Em setembro, Débora visitou as feiras Vicenzaoro, na Itália, e Jewellery & Gem WORLD, em Hong Kong, em busca de referências de criação, materiais e fornecedores. Segundo ela, peças de grande volume, por exemplo, também precisam ser avaliadas pelo conforto; já texturas vistas sob a iluminação de um expositor exigem observação próxima para que seu acabamento seja compreendido.

A empresária afirma que proporção, peso, combinação de materiais e qualidade de execução entram nessa análise. O contato com fabricantes, acrescenta, permite discutir alternativas de produção e identificar elementos que podem ser adaptados à identidade da marca, como a articulação de uma pulseira ou o trabalho na superfície do ouro.

Preço, peso e clareza na compra

O relatório do World Gold Council aponta que peças mais leves ganharam espaço em diferentes mercados no primeiro semestre de 2026. O dado se refere ao consumo global, e não especificamente ao Brasil, mas indica como o custo da matéria-prima pode influenciar o desenvolvimento de produtos.

Para Débora, reduzir o peso de uma joia não basta se houver prejuízo à estrutura ou ao conforto. Ela também defende que as joalherias expliquem composição, construção e cuidados das peças para que a cliente possa avaliar a escolha além da imagem. Frequência de uso, preferência por modelos discretos ou marcantes e facilidade de combinação são outros aspectos considerados na curadoria, segundo a empresária.

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