Quando crianças precisam de vitaminas e suplementos
Nutricionista afirma que idade, alimentação, crescimento e condições clínicas devem orientar a avaliação individual.
Nem toda criança precisa tomar vitaminas ou suplementos diariamente. Segundo Quetsia Birschner, nutricionista e especialista em marketing nutricional da True, a necessidade depende da idade, da alimentação, da fase de crescimento, de condições clínicas e da existência de possíveis deficiências nutricionais.
A profissional afirma que a suplementação não deve substituir uma alimentação adequada nem funcionar como um “seguro nutricional”. A avaliação deve considerar o que a criança come, suas necessidades e fatores de risco ou deficiências.
Ferro e vitamina D exigem atenção na infância
De acordo com a nutricionista, ferro, vitamina D e zinco estão entre os nutrientes que mais merecem atenção. A vitamina B12 requer cuidado sobretudo em crianças vegetarianas ou veganas, enquanto o cálcio pode preocupar quando há baixo consumo de leite, derivados ou outras fontes do mineral.
O ferro participa da formação da hemoglobina e do transporte de oxigênio, além de ter papel no desenvolvimento neurológico nos primeiros anos de vida. Prematuros, bebês com baixo peso ao nascer e crianças com alimentação pouco variada ou seletividade alimentar estão entre os grupos que podem demandar atenção especial, segundo a fonte.
Quetsia Birschner informa que a suplementação profilática de ferro é recomendada universalmente no Brasil a partir dos seis meses, com antecipação em situações como prematuridade e baixo peso ao nascer, conforme avaliação do pediatra. Já a vitamina D é recomendada para lactentes desde os primeiros dias de vida, segundo protocolos pediátricos citados pela nutricionista.
Após o primeiro ano, a avaliação da vitamina D pode considerar fatores como exposição solar, alimentação, obesidade e condições que comprometam a absorção de gorduras. Por ser lipossolúvel, seu uso sem orientação também exige cuidado, afirma a profissional.
Prevenção e tratamento têm objetivos diferentes
A fonte diferencia a suplementação preventiva daquela usada para corrigir uma deficiência diagnosticada ou sob forte suspeita clínica. No segundo caso, podem ser necessárias doses maiores e uso por período determinado, com acompanhamento e reavaliação. Dose, duração e objetivo devem estar alinhados à necessidade individual.
Na pré-adolescência e adolescência, o estirão de crescimento modifica as necessidades nutricionais. Ferro, cálcio e vitamina D ganham atenção, e o início da menstruação representa uma nova demanda de ferro para as meninas, segundo a nutricionista.
A seletividade alimentar significativa e a exclusão de grupos alimentares inteiros podem exigir acompanhamento mais próximo. A suplementação pode servir como apoio temporário para reduzir o risco de deficiências, mas não trata a seletividade alimentar. Baixo peso ou dificuldade de crescimento também não significam automaticamente falta de vitaminas: as causas precisam ser investigadas.
A nutricionista recomenda cautela com produtos que prometem aumentar a imunidade, abrir o apetite, estimular o crescimento ou melhorar o desempenho escolar. Antes da compra, composição, dosagem, indicação de uso e respaldo científico devem ser observados, com orientação profissional para evitar combinações desnecessárias e doses inadequadas.



