Brasil estima 77.920 novos casos anuais de câncer de próstata

Projeção do INCA para 2026 a 2028 reforça a atenção aos riscos e à avaliação médica individualizada durante o Novembro Azul.

O Brasil deverá registrar cerca de 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativas divulgadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) em 2026. A projeção equivale a uma média estimada de 213 novos diagnósticos por dia.

Em 2024, foram registradas 17.826 mortes por câncer de próstata no país, de acordo com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade divulgados pelo INCA. A campanha Novembro Azul chama atenção para a saúde masculina e para a procura por acompanhamento médico.

Sintomas podem não aparecer no início

O câncer de próstata é o tumor maligno mais frequente entre homens brasileiros quando desconsiderados os cânceres de pele não melanoma. Segundo o INCA, responde por aproximadamente 30,5% dos novos casos de câncer estimados na população masculina.

A doença pode não apresentar sintomas nas fases iniciais. Dificuldade para urinar, diminuição da força do jato urinário, aumento da frequência urinária e sangue na urina devem ser investigados, embora também possam estar relacionados a outras condições benignas.

Segundo o urologista Rodolfo Favaretto Filho, a ausência de sintomas não significa necessariamente que esteja tudo bem. Ele afirma que idade, histórico familiar e condições individuais devem ser considerados na conversa com o médico. A idade é um dos principais fatores associados à doença, especialmente após os 60 anos, e casos em pai ou irmão diagnosticados mais jovens também merecem atenção.

PSA e toque retal dependem de avaliação individual

O exame de PSA, feito por coleta de sangue, e o toque retal podem integrar a avaliação clínica conforme indicação médica. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam o rastreamento populacional indiscriminado de homens sem sintomas, devido aos riscos de resultados falso-positivos, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários.

A decisão sobre realizar exames deve ser individualizada e compartilhada entre médico e paciente, após a discussão sobre possíveis benefícios e riscos. “Não existe uma única conduta que sirva para todos os homens”, afirma Favaretto Filho.

O especialista também destaca que o Novembro Azul pode ampliar a conversa para doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, alterações hormonais, disfunção erétil e fertilidade. Alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do peso, abandono do tabagismo e redução do consumo de álcool contribuem para a saúde geral, segundo ele.

Quando o câncer de próstata é identificado em estágio localizado, muitos pacientes têm perspectivas favoráveis de tratamento, a depender das características do tumor e das condições clínicas, informa o urologista.

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