Três comportamentos que podem dificultar os estudos

Especialista orienta pais a observar técnicas pouco eficazes, adiamento das tarefas e medo de errar sem transformar o estudo em cobrança.

Brigas na hora de estudar podem estar ligadas a dificuldades para organizar tarefas, perceber o próprio aprendizado ou lidar com erros. Segundo Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, observar esses comportamentos pode ajudar os pais a acompanhar os filhos sem fiscalizar cada minuto ou cobrar resultados específicos.

O tema também se relaciona ao uso da internet. Pesquisa do Instituto Alana em parceria com a agência Koga, feita com 505 jovens de 13 a 17 anos, aponta que metade dos adolescentes brasileiros passa mais tempo na internet do que gostaria. No levantamento, 40% relataram prejuízos nos estudos e na qualidade do sono.

Técnicas de estudo pouco eficazes

Grifar trechos e reler páginas são práticas comuns, mas podem não indicar compreensão. Cornetta sugere pedir que o estudante explique o conteúdo com as próprias palavras, como forma de identificar o que precisa ser retomado, sem transformar a dificuldade em motivo de cobrança.

Uma revisão científica publicada em 2013 na revista Psychological Science in the Public Interest analisou dez técnicas de aprendizagem. A prática de testes e a distribuição das revisões ao longo do tempo ficaram entre as estratégias de maior utilidade, enquanto releitura e grifo não mostraram benefícios tão consistentes quando usados isoladamente.

Adiamento e medo de errar

De acordo com o especialista, adiar os estudos pode ocorrer quando a tarefa parece extensa ou o jovem não sabe por onde começar. Dividir o trabalho em metas menores — como revisar um conceito e depois resolver exercícios — pode tornar o primeiro passo mais claro. Os pais podem incentivar o filho a escolher essa primeira atividade e acompanhar o próprio progresso.

Outra dificuldade é interpretar uma nota baixa ou uma resposta errada como prova de incapacidade. Para Cornetta, analisar como o aluno chegou ao erro ajuda a localizar se o obstáculo está na interpretação do enunciado, na lembrança de uma fórmula ou na aplicação de um conceito. A partir disso, a revisão pode ser direcionada ao ponto que precisa ser retomado.

O acompanhamento, segundo ele, envolve ajudar o jovem a reconhecer suas dificuldades e encontrar soluções gradualmente, em vez de assumir toda a organização da rotina de estudos.

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