Doença periodontal e diabetes: como a saúde bucal se relaciona

Segundo especialista ligada à SMS-SP, inflamações gengivais exigem atenção e podem dificultar o controle glicêmico.

Problemas nos dentes e nas gengivas não se limitam à boca: a doença periodontal tem relação bidirecional com o diabetes e também é associada a fatores inflamatórios ligados à saúde cardiovascular. Segundo estimativas atualizadas da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase 3,7 bilhões de pessoas convivem com doenças bucais no mundo, incluindo mais de 1 bilhão com periodontite grave.

A periodontite é uma inflamação crônica dos tecidos que sustentam os dentes. De acordo com Fernanda Cardoso, cirurgiã-dentista e gerente do CEO II Vera Cruz, unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo gerenciada pelo CEJAM, a inflamação gengival crônica pode estar associada a alterações inflamatórias sistêmicas. “Muitas pessoas ainda enxergam a boca como uma estrutura isolada, mas ela está integrada à saúde geral”, afirma.

Relação entre doença periodontal e diabetes

Conforme dados citados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e da Sociedade Brasileira de Periodontologia (SOBRAPE), pessoas com diabetes descompensado apresentam risco de duas a três vezes maior de desenvolver inflamações gengivais severas. Em sentido contrário, a infecção na gengiva pode dificultar o controle glicêmico, por liberar substâncias inflamatórias que elevam a resistência à insulina.

O material informa que estudos indicam que o tratamento periodontal adequado pode reduzir a hemoglobina glicada, a HbA1c, em cerca de 0,40%. Esse indicador é usado no manejo do diabetes.

Associação com a saúde cardiovascular

Bactérias presentes no biofilme dental e na gengiva inflamada podem alcançar a corrente sanguínea e elevar marcadores como a Proteína C-Reativa (PCR), segundo o texto. Esse processo é relacionado à disfunção endotelial e à aterosclerose, o acúmulo de placas nas artérias.

A literatura científica, porém, trata a relação entre infecções bucais e condições cardiovasculares como uma associação epidemiológica, e não como uma causalidade direta única. O Ministério da Saúde reconhece o controle das infecções bucais como aliado na promoção da saúde e no controle de fatores de risco relacionados a agravos cardiovasculares.

Sangramento gengival e dor ao mastigar são sinais de alerta

Sangramento ao escovar os dentes ou passar o fio dental, gengivas avermelhadas, mobilidade nos dentes e dor ao mastigar não são condições normais e devem motivar avaliação profissional, informa a especialista. Ela alerta que a periodontite pode progredir de forma silenciosa e sem dor nas fases iniciais.

Além do impacto clínico, perda dentária, dor na mastigação e infecções não tratadas podem limitar o consumo de carnes, grãos, frutas e vegetais frescos. O material também cita possíveis prejuízos à fala, ao sono e à convivência social.

A prevenção, segundo a fonte, envolve escovação adequada, uso do fio dental, alimentação equilibrada e consultas regulares com cirurgião-dentista. No SUS, as equipes de saúde bucal da Atenção Primária podem atuar de forma integrada ao acompanhamento de pessoas com hipertensão, diabetes e idosos.

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