Avanço do câncer colorretal precoce e o papel da alimentação

Nutricionista relaciona hábitos alimentares à prevenção e destaca sintomas que merecem avaliação médica em qualquer idade.

Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos

O câncer de intestino, por muito tempo visto como uma doença do envelhecimento, vem aparecendo cada vez mais cedo. Pesquisas recentes mostram aumento da incidência da doença entre pessoas com menos de 50 anos em várias partes do mundo, e a América Latina está no centro desse alerta.  

Um estudo publicado em 2025 na revista The Lancet Oncology analisou registros de câncer de 50 países e territórios e identificou aumento da incidência do câncer colorretal de início precoce em 27 deles. Na América Latina, o estudo identificou tendências de aumento em países como Chile, Equador e Costa Rica, além de Porto Rico e Argentina, conforme os recortes analisados. No Chile, o aumento foi de cerca de 4% ao ano, um dos maiores do mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima dezenas de milhares de novos casos de câncer colorretal por ano, colocando a doença entre os tipos mais frequentes no país. 

As causas ainda estão sendo investigadas. Uma revisão publicada em 2022 observou que as gerações mais recentes apresentam maior risco de desenvolver câncer antes dos 50 anos, o que sugere a influência de exposições desde a infância. Os pesquisadores apontam possíveis associações com mudanças no estilo de vida das gerações mais recentes, como a alimentação rica em ultraprocessados e bebidas açucaradas, o excesso de peso, o sedentarismo e o consumo de álcool. 

É nesse ponto que o prato faz diferença. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, da Organização Mundial da Saúde, classifica as carnes processadas, como presunto, salsicha, bacon e linguiça, como carcinogênicas para humanos, com evidências suficientes de sua relação causal com o câncer colorretal. Cada 50 gramas consumidos por dia estão associados a um aumento de aproximadamente 18% no risco da doença. 

Por outro lado, grãos integrais e alimentos ricos em fibras estão associados a menor risco. Segundo o World Cancer Research Fund, o consumo de cerca de 90 gramas de grãos integrais por dia está associado a uma redução de aproximadamente 17% no risco de câncer colorretal. Na prática, isso significa priorizar a comida de verdade, com feijão, frutas, verduras, legumes e cereais integrais, e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, como recomenda o Guia Alimentar para a População Brasileira. 

Outro cuidado é não normalizar sintomas. Sangue nas fezes, mudanças persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal frequente e anemia sem explicação merecem avaliação médica em qualquer idade e não devem ser atribuídos automaticamente a hemorroidas ou ao estresse. 

O câncer colorretal deixou de ser uma preocupação exclusiva de quem passou dos 50 anos. Cuidar da alimentação desde cedo é uma das formas de contribuir para a redução do risco da doença ao alcance de cada um. 

*Ana Paula Garcia Fernandes dos Santos, é nutricionista – Mestre em Alimentação e Nutrição e Professora da Escola Superior de Saúde – UNINTER 

👁️ 74 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar