Ribociclibe elevou sobrevida em estudo de câncer de mama
Dados de seis anos do estudo NATALEE, apresentados na ESMO 2026, avaliaram combinação para pacientes de maior risco.
Adicionar ribociclibe à terapia hormonal foi associado a uma redução de aproximadamente 19% no risco de morte em pacientes com câncer de mama inicial com receptores hormonais positivos e HER2 negativo, segundo resultados de seis anos do estudo internacional NATALEE, apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO 2026), em Madri, na Espanha.
De acordo com os dados divulgados, 91,9% das pacientes que receberam a combinação estavam vivas após seis anos, ante 89,7% entre as tratadas apenas com terapia hormonal. A diferença absoluta de sobrevida foi de 2,1 pontos percentuais.
Estudo incluiu pacientes com maior risco de recorrência
O estudo de fase 3 reuniu 5.101 pacientes com câncer de mama em estágios II e III, receptores hormonais positivos e HER2 negativo, consideradas com maior risco de recorrência. Todas haviam passado por cirurgia e recebido o tratamento indicado para seu quadro.
As participantes foram distribuídas aleatoriamente para receber terapia hormonal isolada ou a mesma terapia associada ao ribociclibe por três anos. Segundo o material, o medicamento é um inibidor de CDK4/6, classe que interfere em mecanismos envolvidos na multiplicação das células cancerígenas.
Controle da doença persistiu após o tratamento
Na análise mais recente, as pacientes estavam havia uma mediana de aproximadamente 38 meses sem usar ribociclibe. Ainda assim, os benefícios no controle da doença continuaram a ser observados, segundo o estudo.
Aos seis anos, 83,2% das pacientes que receberam ribociclibe e terapia hormonal permaneciam livres de eventos invasivos relacionados ao câncer, em comparação com 77,9% no grupo tratado apenas com terapia hormonal. A diferença absoluta nesse desfecho foi de 5,3 pontos percentuais.
Raphael Parmeggiani, vice-presidente de Assuntos Científicos em Oncologia da América Latina da CENTOGENE, afirma que os dados também apontam benefício em sobrevida global. Ele ressalta, porém, que a decisão terapêutica deve considerar individualmente o estágio da doença, o risco de recorrência, as características do tumor, as condições clínicas e os possíveis efeitos adversos.
O NATALEE incluiu pessoas com comprometimento dos linfonodos e determinados casos sem comprometimento linfonodal, mas com outras características desfavoráveis. Por isso, os resultados não significam que todas as pessoas com câncer de mama inicial precisem receber ribociclibe.



