Menopausa exige avaliação individual antes de cirurgia facial
Pesquisa da AAFPRS aponta que 45% dos cirurgiões faciais notaram mais pacientes citando menopausa ou perimenopausa ao buscar tratamentos.
A menopausa não determina sozinha se uma mulher pode fazer uma cirurgia facial, mas torna a avaliação individual ainda mais importante no planejamento do procedimento e da recuperação. Segundo pesquisa anual da American Academy of Facial Plastic and Reconstructive Surgery (AAFPRS), 45% dos cirurgiões faciais entrevistados perceberam aumento de pacientes que mencionam menopausa ou perimenopausa ao buscar tratamentos estéticos.
No levantamento anterior, o percentual era de 28%, uma diferença de 17 pontos percentuais em um ano. De acordo com a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, especialista em menopausa, a queda do estrogênio afeta diferentes tecidos, inclusive a pele, mas não produz os mesmos efeitos em todas as mulheres.
Durante a transição menopausal, a redução hormonal está associada a ressecamento, perda de elasticidade, afinamento da pele e redução do colágeno, conforme informado no material. Genética, exposição solar, tabagismo, alimentação, sono, doenças e estilo de vida também interferem no envelhecimento cutâneo.
O que é avaliado antes de um procedimento facial
Para o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, a indicação não deve começar pelo nome do procedimento. Uma queixa sobre pálpebras, contorno da mandíbula ou flacidez pode envolver pele, gordura, musculatura, estrutura óssea e proporções faciais; por isso, pacientes com sintomas parecidos podem receber indicações diferentes.
Entre os procedimentos mencionados pela AAFPRS estão facelift e blefaroplastia. Já as alternativas não cirúrgicas incluem tecnologias para a pele, toxina botulínica e preenchedores. O material também cita bioestimuladores, ácido hialurônico e laser, ressaltando que as opções têm indicações e níveis de evidência distintos.
Uma revisão publicada em 2025 na revista Frontiers in Surgery, citada no release, aponta a participação do estrogênio em mecanismos ligados à formação de novos vasos, à regulação do colágeno e à cicatrização. Os pesquisadores observam que a redução hormonal após a menopausa pode estar associada a menor capacidade de reparação, mas isso não prevê isoladamente o pós-operatório de cada paciente.
Segundo Fabiane Berta, a terapia hormonal pode ter efeitos sobre colágeno, hidratação e elasticidade, porém sua indicação é clínica e não deve ter finalidade apenas estética. Na avaliação pré-cirúrgica, Di Sessa destaca fatores como saúde geral, qualidade dos tecidos, doenças preexistentes, medicamentos, tabagismo e condições individuais de cicatrização.



