Interrupções no trabalho podem confundir produtividade e sobrecarga

Levantamento da Microsoft relata interrupções frequentes na rotina; OMS relaciona pressão e falta de controle a riscos ocupacionais.

Interrupções frequentes, excesso de reuniões e falta de autonomia podem fazer uma equipe parecer produtiva enquanto opera sob sobrecarga. Segundo o Work Trend Index 2025, da Microsoft, profissionais que usam o Microsoft 365 são interrompidos, em média, a cada dois minutos no horário de trabalho por reuniões, e-mails ou mensagens.

Considerando também interações fora do horário convencional, o levantamento citado chega a 275 interrupções diárias. Ainda de acordo com a Microsoft, 48% dos funcionários e 52% dos líderes dizem que o trabalho parece caótico e fragmentado.

Para José Felipe Carneiro, autor de Performance Consciente, alta performance não deveria significar suportar pressão crescente, mas obter bons resultados de forma consistente, sem manter as pessoas permanentemente no limite. Na avaliação dele, uma agenda cheia e respostas rápidas podem transmitir uma ideia de engajamento, embora o excesso de demandas comprometa concentração, prioridades e qualidade do trabalho.

O que diferencia cobrança de pressão nociva

Carneiro afirma que uma cobrança saudável explicita entregas, relevância e responsabilidades. Já a pressão nociva, segundo ele, ocorre quando um sistema de trabalho desorganizado tenta compensar falhas aumentando a intensidade sobre quem executa as tarefas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) relaciona pressão de tempo, pouco controle sobre as tarefas, jornadas prolongadas e ausência de suporte a riscos de estresse ocupacional, burnout e fadiga. A organização também aponta que a má organização do trabalho pode contribuir para o estresse e cita a otimização da carga, a autonomia e a participação dos profissionais nas decisões como medidas possíveis.

A OMS define burnout como um fenômeno ocupacional ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi administrado com sucesso. Entre suas dimensões estão exaustão, distanciamento mental ou cinismo em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Resultados precisam ser sustentáveis

Para Carneiro, a liderança deve observar não apenas o volume de entregas, mas as condições em que elas são produzidas. Quando profissionais passam a maior parte do tempo reagindo a demandas, precisam de acompanhamento constante e só mantêm o ritmo com esforço extraordinário, a empresa pode estar confundindo produtividade com sobrecarga.

Na visão do autor, metas ambiciosas podem coexistir com uma gestão sustentável, desde que orientem a estratégia em vez de justificar urgência permanente. Qualidade, foco, autonomia, capacidade de decisão e sustentabilidade do ritmo também devem integrar a avaliação de performance.

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